Cabotagem reduz 72% CO₂ e ganha espaço na logística empresarial
Cabotagem reduz 72% CO₂ e ganha espaço na logística

Um estudo da Norcoast, consultoria especializada em logística marítima, aponta que o transporte por cabotagem emitiu 72% menos dióxido de carbono (CO₂) do que o modal rodoviário em rotas equivalentes no Brasil. O dado reforça o potencial de crescimento da navegação costeira como alternativa para empresas que buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa em suas cadeias logísticas.

Pressão sobre o Escopo 3 impulsiona demanda por cabotagem

De acordo com o levantamento, a diferença nas emissões é ainda mais significativa quando consideradas rotas de longa distância. Enquanto um caminhão emite, em média, 62 gramas de CO₂ por tonelada-quilômetro (t.km), o navio de cabotagem emite apenas 17 g/t.km, resultando na redução de 72%. A Norcoast destaca que a vantagem ambiental da cabotagem se soma a outros benefícios, como menor custo por tonelada transportada e maior capacidade de carga.

A pressão sobre as emissões do Escopo 3 – aquelas indiretas geradas por fornecedores e parceiros logísticos – tem levado grandes empresas a reavaliar suas escolhas de transporte. “Com a crescente cobrança de investidores e consumidores por metas climáticas ambiciosas, a cabotagem surge como uma solução viável para descarbonizar a logística sem comprometer a eficiência”, afirmou o diretor de sustentabilidade da Norcoast, Carlos Mendes.

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Cabotagem ainda enfrenta desafios de infraestrutura

Apesar do potencial, a participação da cabotagem na matriz de transporte brasileira ainda é modesta. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o modal responde por cerca de 11% do total de cargas movimentadas no país, enquanto o rodoviário detém mais de 60%. Entre os entraves estão a falta de terminais portuários adequados, a burocracia alfandegária e a necessidade de investimentos em dragagem e acesso aos portos.

O estudo da Norcoast também aponta que, em rotas específicas como Santos-Manaus, a cabotagem pode reduzir as emissões em até 80% em comparação com o transporte rodoviário. “A diferença é ainda maior quando o caminhão precisa percorrer estradas em más condições, que aumentam o consumo de combustível”, explica Mendes.

Empresas já testam a cabotagem como alternativa

Grandes embarcadores, como indústrias de alimentos, bebidas e químicos, já estão migrando parte de suas cargas para a cabotagem. A Norcoast estima que, se 10% da carga atualmente transportada por caminhões em rotas litorâneas fosse transferida para navios, a redução anual de CO₂ seria equivalente a retirar 200 mil carros das ruas.

Para o setor, a tendência é de crescimento, especialmente com a entrada em operação de novos terminais e a modernização da frota. “A cabotagem não é a solução para todos os problemas, mas é uma peça-chave na estratégia de logística sustentável”, conclui o executivo.

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