Petróleo Brent fecha acima de US$ 100 após ataque a navios sauditas
Brent fecha acima de US$ 100 após ataque no Mar Vermelho

O petróleo Brent, referência internacional, fechou acima de US$ 100 o barril nesta segunda-feira (23) pela primeira vez desde 2014, impulsionado por um ataque a navios sauditas no Mar Vermelho que elevou os temores de interrupção no fornecimento global da commodity.

Ataque a navios petroleiros eleva prêmio de risco

O ataque, reivindicado pelos rebeldes houthis do Iêmen, atingiu dois navios petroleiros sauditas no Mar Vermelho, uma rota vital para o transporte de petróleo. O Brent subiu 4,3%, para US$ 102,35 o barril, maior nível desde setembro de 2014. O WTI, referência americana, avançou 4,1%, para US$ 95,80.

O incidente ocorre em meio a tensões crescentes no Oriente Médio, com o Irã sendo acusado de fornecer drones e mísseis aos houthis. A Arábia Saudita anunciou que tomará medidas para proteger suas instalações e garantir a segurança das rotas marítimas.

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Impacto nos mercados e perspectivas

O ataque renovou preocupações com a oferta de petróleo, já que o Mar Vermelho é uma passagem crucial para cerca de 10% do comércio global de petróleo. Analistas do Goldman Sachs elevaram suas previsões de preço, citando o risco geopolítico. "O ataque adiciona um prêmio de risco significativo, e vemos o Brent atingindo US$ 110 nos próximos meses", disse Damien Courvalin, analista do banco.

O mercado também monitora a reunião da Opep+ em 4 de agosto, onde os produtores discutirão um possível aumento de produção para conter os preços. No entanto, a Arábia Saudita sinalizou que prefere manter a disciplina de produção.

Reações do governo brasileiro e implicações para a Petrobras

O governo brasileiro, por meio do Ministério de Minas e Energia, afirmou que acompanha a situação com atenção. A Petrobras, que importa petróleo para atender à demanda doméstica, pode ser afetada pelo aumento dos preços internacionais. A estatal ainda não anunciou reajustes nos combustíveis, mas a pressão sobre os preços internos deve aumentar.

Especialistas apontam que a disparada do petróleo pode pressionar a inflação global e forçar bancos centrais a elevar juros. No Brasil, o IPCA já acumula alta de 11,5% em 12 meses, e o petróleo mais caro pode dificultar o controle inflacionário.

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