Anfavea projeta vendas de veículos acima de 3 milhões em 2025
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou nesta terça-feira (7) uma estimativa que aponta vendas de veículos no Brasil acima de 3 milhões de unidades em 2025, marca não alcançada desde 2014. Segundo a entidade, o crescimento será de 12,1% em relação ao ano anterior, revisando para cima a projeção inicial de 2,7 milhões de unidades.
Produção nacional cresce, mas importações aceleram
A produção nacional de veículos também deve crescer 5,8% em 2025, atingindo 2,7 milhões de unidades. No entanto, a Anfavea observa um descolamento entre emplacamentos e produção, reflexo do aumento expressivo das importações. “Sempre os resultados do emplacamento e da produção nacional caminham juntos. Mas este ano, o emplacamento será bem maior, reflexo do crescimento das importações. A produção cresce, mas proporcionalmente menos que o tamanho do mercado. Há um descolamento”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante a apresentação dos dados.
Primeiro semembro registra melhor desempenho desde 2014
No primeiro semestre de 2025, os emplacamentos de veículos atingiram 1,42 milhão de unidades, o melhor resultado para o período desde 2014, com alta de 18,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dinamismo das vendas de veículos leves, que cresceram dois dígitos em alguns meses, motivou a revisão da projeção anual.
Importações da China disparam e eletrificados superam combustão
No primeiro semestre, o Brasil importou 280 mil veículos, sendo 140 mil da China, um crescimento de 98,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando 71 mil unidades chinesas desembarcaram no país. As importações de veículos eletrificados totalizaram 145,9 mil unidades, superando as de veículos a combustão (134,5 mil), sinalizando a preferência do consumidor por essa tecnologia. Os veículos montados no Brasil pelo sistema CKD e SKD (kits semimontados) somaram 54 mil unidades no período.
Exportações brasileiras em queda
As exportações brasileiras de veículos devem fechar 2025 em 462 mil unidades, queda de 12,18% em relação à estimativa inicial de 532 mil unidades, que representaria alta de 1,3%. O recuo reflete o cenário global e a concorrência internacional.
Anfavea critica incentivos a CKDs e SKDs e defende produção nacional
Igor Calvet destacou a rapidez da transição tecnológica para veículos eletrificados, afirmando que “o setor automotivo nunca passou por uma mudança tão rápida”. Ele reiterou a preocupação com o sistema produtivo nacional após a renovação das cotas sem impostos para CKDs e SKDs importados, decisão do governo em junho que beneficiou especialmente a montadora chinesa BYD. “Não adianta ter no Brasil uma produção sofisticada e complexa e ao mesmo tempo ter incentivos para fazer outra coisa (montagem por CKDs e SKDs). Nossa briga não é com a tecnologia, mas sim contra o incentivo dado a isso. A luta é por condições iguais de competitividade”, disse Calvet.
Segundo ele, no sistema de kits semimontados são necessários apenas três trabalhadores para montar um veículo, enquanto numa montadora tradicional são dez trabalhadores por unidade. Calvet vê risco de outras montadoras migrarem para o sistema CKD/SKD. “A decisão é global das montadoras, mas ninguém vai ficar de braços cruzados vendo o outro ganhar mercado. Vejo o risco, sim. E se o modelo de produção for SKD e CKD, o posicionamento da Anfavea deixa de fazer sentido. Mas enquanto isso não acontecer, a Anfavea vai lutar pela produção nacional”, afirmou.
Anfavea não judicializa, mas questiona governança da Camex
Calvet informou que a Anfavea decidiu não judicializar a decisão do governo sobre a renovação das cotas, pois uma ação contra a Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderia levar anos, enquanto a renovação é de apenas seis meses. A entidade fará uma representação junto ao Ministério Público de Contas para pedir melhoria na governança do órgão. “O rito de governança da Camex precisa ser aprimorado. Não houve publicação prévia da agenda, e não houve contraditório”, criticou.



