Grandes varejistas brasileiras estão cada vez mais apostando em inteligência artificial (IA) para prever a demanda dos consumidores e acelerar as entregas, em uma corrida para se adaptar às novas exigências do mercado e reduzir custos operacionais. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o uso de algoritmos de machine learning na logística cresceu 35% no último ano, com investimentos que ultrapassam R$ 1,2 bilhão.
Previsão de demanda com IA
Empresas como Magazine Luiza, Via e Americanas já implementaram sistemas de IA que analisam históricos de vendas, sazonalidade, clima e até tendências em redes sociais para antecipar quais produtos terão maior procura. "Conseguimos reduzir em 20% o excesso de estoque e aumentar em 15% a disponibilidade de itens", afirma Carlos Siqueira, diretor de tecnologia da Magazine Luiza. A precisão das previsões saltou de 65% para 85% em média, segundo a ABComm.
Otimização de rotas e entregas
Na logística, a IA também está sendo usada para otimizar rotas de entrega em tempo real. A Loggi, startup de logística, implementou um sistema que considera trânsito, condições climáticas e janelas de entrega para sugerir a melhor rota para cada motorista. "Reduzimos o tempo médio de entrega em 30% e o consumo de combustível em 25%", diz Pedro Alves, CEO da Loggi. Grandes varejistas como Mercado Livre e Amazon também utilizam tecnologias semelhantes no Brasil.
Impacto nos custos e prazos
A adoção da IA tem impacto direto nos custos operacionais e nos prazos de entrega. Um estudo da McKinsey & Company aponta que varejistas que utilizam IA na logística podem reduzir custos em até 25% e diminuir o prazo de entrega em até 40%. "A IA permite que as empresas sejam mais eficientes e competitivas, especialmente no comércio eletrônico, onde a rapidez na entrega é um diferencial crucial", afirma Renata Oliveira, analista de mercado da McKinsey.
Desafios e tendências
Apesar dos benefícios, a implementação da IA ainda enfrenta desafios, como a necessidade de dados de qualidade e a resistência cultural. "Muitas empresas ainda têm dificuldade em confiar nas decisões da máquina", comenta Siqueira. No entanto, a tendência é de crescimento: a ABComm projeta que até 2028, 80% dos varejistas brasileiros utilizarão IA em suas operações logísticas. A tecnologia também deve evoluir para incluir veículos autônomos e drones, prometendo revolucionar ainda mais o setor.



