A Vale (VALE3) divulgou na terça-feira seu relatório de vendas e produção do segundo trimestre de 2026, com destaque para a produção de minério de ferro, que alcançou o maior volume para um segundo trimestre desde 2018. O balanço da mineradora será divulgado em 30 de julho. Às 10h38 (horário de Brasília) desta quarta-feira (22), as ações da companhia subiam 2,93%, cotadas a R$ 74,36.
Desempenho operacional robusto, segundo analistas
Na avaliação do Bradesco BBI, a Vale apresentou mais um conjunto de resultados operacionais robusto. Embora a produção dos três metais tenha ficado amplamente em linha com suas estimativas, os volumes de vendas superaram em todos os segmentos, sugerindo um potencial de alta de cerca de 5% em relação à estimativa de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 3,7 bilhões.
A XP Investimentos classificou o relatório de produção como ligeiramente positivo, com produção de minério de ferro amplamente em linha com as estimativas e envios acima das expectativas. Na ponta negativa, a corretora citou as pressões de custos.
Revisões para cima no EBITDA
Segundo os analistas da XP, Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, os volumes de vendas de minério de ferro, pelotas e níquel acima do esperado, combinados com preços realizados mais elevados de cobre e níquel, sustentam um aumento de 5% na estimativa de EBITDA no 2T26, para US$ 3,9 bilhões.
O Itaú BBA também revisou para cima sua estimativa de Ebitda pro forma para o período, para cerca de US$ 3,83 bilhões, alta de 5,5% em relação à projeção anterior de US$ 3,63 bilhões. De acordo com BBA, o trimestre foi marcado pelas vendas acima do esperado e pela resiliência dos preços realizados do minério de ferro.
Para o JPMorgan, os números da Vale foram positivos, impulsionados por volumes mais fortes de finos/ROM (minério bruto) e preços de pelotas ligeiramente melhores, sustentados por prêmios mais firmes. Na mesma linha, a equipe do BTG liderada pelo analista Leonardo Correa avalia que a mineradora reportou uma prévia sólida, com os volumes de cobre e os preços realizados se destacando como os principais pontos positivos da divulgação.
Pressão de custos
Segundo a Genial Investimentos, o principal ponto de atenção no relatório operacional da Vale continua sendo a dinâmica de custos. A casa destaca que a companhia não divulgou indicadores como custo C1, que envolve mina, ferrovia e porto, e frete, mantendo suas estimativas em US$ 25,2 por tonelada para C1 e US$ 22,3 por tonelada para frete.
A Genial ressalta ainda que dois fatores podem pressionar o resultado financeiro da mineradora no balanço previsto para 30 de julho. O primeiro é o impacto de US$ 88 milhões em ajustes de preços provisórios ainda não liquidados, relacionados principalmente a cobre e níquel, após a queda das cotações do ouro. O segundo é a provável redução da receita proveniente do ouro como subproduto, cujo volume produzido recuou para 108 mil onças, queda de 10,7% na comparação trimestral.
Considerando esses efeitos, a Genial estima que o Ebitda pro forma da Vale no segundo trimestre de 2026 fique em aproximadamente US$ 3,83 bilhões, cerca de 7% acima do consenso de mercado. Apesar da pressão esperada em custos e subprodutos, a projeção indica um resultado operacional acima das expectativas.
O BTG também destaca que as pressões de custo no curto prazo, vindas de diesel, câmbio e manutenção, devem afetar os resultados do 2T. No entanto, o banco enxerga as pressões de custo como majoritariamente exógenas e não reflexo de qualquer deterioração na capacidade de execução da Vale. Segundo o banco, a administração continua entregando desempenho operacional mais forte, alocação de capital sólida e maior consistência.
Vale no caminho certo para metas de 2026
Olhando para o futuro, os analistas do Bradesco BBI, Rafael Barcellos e Renato Chanes, veem a Vale no caminho certo para atingir suas metas de produção para o ano de 2026 em todas as commodities.
O Goldman Sachs também acredita que a mineradora está no caminho para cumprir o guidance de produção para o ano, mas observa que os investidores estão cada vez mais atentos ao desempenho de custos diante dos desafios macroeconômicos. O Goldman Sachs projeta um resultado mais fraco para a Vale, com Ebitda ajustado estimado em US$ 3,7 bilhões, abaixo do consenso de US$ 3,8 bilhões. A expectativa é de pressão causada por volumes de vendas de metais básicos inferiores ao esperado e custos mais elevados, influenciados pela valorização do real, aumento dos preços do petróleo e fretes, além da queda nos preços de subprodutos.
Recomendações dos bancos
Apesar da prévia operacional reforçar a visão de execução operacional consistente em todas as operações, a XP Investimentos manteve recomendação neutra diante das pressões de custos e dos níveis atuais de valuation. A Genial Investimentos também reiterou classificação neutra e preço-alvo de R$ 86.
O BTG e BBA reiteraram recomendação de compra para ações da Vale, com preço-alvo de, respectivamente, R$ 90 e R$ 95. O Goldman Sachs, BBI e JPMorgan mantiveram classificação de compra, com preço-alvo de US$ 18, US$ 19 e US$ 20 por ADR, nesta ordem. Já o Morgan Stanley manteve classificação neutra e preço-alvo de US$ 16,50.



