Vale 2T26: Santander e Genial projetam EBITDA de US$ 3,8 bi com pressão de custos
Vale 2T26: EBITDA de US$ 3,8 bi e pressão de custos

A Vale divulgará seus dados de produção e vendas do segundo trimestre de 2026 após o fechamento do mercado nesta terça-feira (21). Analistas do Santander e da Genial projetam um período de recuperação operacional, mas com pressões relevantes de custos. Ambas as instituições estimam o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em torno de US$ 3,8 bilhões, com a divisão de minério de ferro como principal motor dos resultados.

EBITDA e produção de minério de ferro

O Santander projeta EBITDA consolidado de US$ 3,85 bilhões entre abril e junho, queda de 1% na comparação trimestral e alta de 12% ante o mesmo período de 2025. Já a Genial estima US$ 3,8 bilhões, recuo de 1,7% frente ao primeiro trimestre e avanço de 11,8% na base anual. As estimativas ficam próximas ou ligeiramente acima do consenso de mercado.

Na avaliação da Genial, o segundo trimestre deve marcar uma forte recomposição dos volumes de minério de ferro após um início de ano prejudicado pelas chuvas. A corretora estima produção de 85,3 milhões de toneladas, alta de 22,5% em relação ao trimestre anterior e avanço de 2,1% na comparação anual. O movimento seria sustentado pela normalização das condições climáticas e pela maturação dos projetos de expansão em Capanema, Vargem Grande e Brucutu, em Minas Gerais.

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Embarques e preços realizados

O Santander também vê um trimestre operacionalmente sólido. Embora não tenha divulgado projeção de produção total de minério de ferro, o banco estima embarques de 80,6 milhões de toneladas, crescimento de 4% na comparação anual, impulsionados pelos projetos de expansão de Capanema e Vargem Grande. O desempenho é parcialmente compensado pelas paralisações ainda vigentes nas operações de Fábrica e Viga.

Em relação aos preços, o Santander projeta preço realizado de US$ 94,70 por tonelada para os finos, enquanto a Genial estima US$ 95,2 por tonelada. Segundo a corretora, apesar da resiliência da referência de 61% de teor de ferro, parte do ganho deve ser compensada por ajustes no sistema de precificação provisória e pela redução dos prêmios de qualidade. No mercado de pelotas, a Genial vê desempenho mais favorável, com preço realizado esperado de US$ 136,7 por tonelada, alta de 2,1% em relação ao trimestre anterior.

Pressão de custos e frete

Os custos continuam sendo o principal ponto de atenção. O Santander estima custo caixa C1 (da mina ao cliente, excluindo compras de terceiros) de US$ 25 por tonelada, acima dos US$ 24 registrados no primeiro trimestre, refletindo efeitos cambiais, alta do petróleo, inflação do diesel e aumento dos custos de frete. A Genial trabalha com projeção semelhante, de US$ 25,2 por tonelada.

Apesar do avanço, a Genial avalia que o movimento representa um pico temporário, não uma deterioração estrutural da competitividade da companhia. Segundo a casa, os fatores que pressionaram o período incluem a valorização do real frente ao dólar, o carregamento de custos de produção do trimestre anterior, reajustes do diesel e os impactos decorrentes da desconsolidação da Aliança Energia. A corretora também destaca a alta do frete unitário, estimado em US$ 22,3 por tonelada, avanço de 24% na comparação trimestral. A exposição da Vale à volatilidade do mercado de fretes é limitada, pois mais de 90% dos contratos estão protegidos por acordos de médio e longo prazo, deixando o combustível marítimo como principal variável de risco.

Divisão de Metais para Transição Energética (ETM)

Na divisão de Metais para Transição Energética (ETM), o Santander segue vendo contribuição relevante. O banco estima EBITDA de US$ 1,07 bilhão para a unidade, equivalente a cerca de 28% do EBITDA consolidado. A produção de cobre é projetada em 94 mil toneladas, enquanto a de níquel deve atingir 48 mil toneladas. A Genial projeta produção de cobre de 97,7 mil toneladas e de níquel de 42,8 mil toneladas. Embora o níquel deva ser impactado por paradas de manutenção, os preços dos dois metais permanecem em patamares favoráveis, ajudando a sustentar a rentabilidade da divisão.

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Recomendações e preço-alvo

Em termos de recomendação, a Genial manteve classificação de manter, mas com viés construtivo. A casa afirma que uma eventual confirmação da recuperação operacional, da manutenção dos prêmios e do caráter transitório da alta dos custos pode abrir espaço para uma revisão positiva da recomendação após a divulgação dos números. O preço-alvo é de R$ 86 para VALE3 e US$ 17 para os ADRs negociados em Nova York, implicando potencial de valorização de cerca de 16%. Já o Santander não divulgou recomendação ou preço-alvo no relatório analisado.