Investigação do Ministério Público de São Paulo revela que o coronel da Polícia Militar Luiz Carlos Pereira Martins trocou mensagens em um grupo de WhatsApp com Cléber Azevedo dos Santos, apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). As conversas, que incluem frases como “a cerveja está gelada” e “hoje vou beber tanto que vou ficar louco”, ocorreram no grupo ‘Aniversário general’, criado para organizar uma festa.
Relação de amizade entre coronel e operador do PCC
Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o teor das mensagens entre Pereira Martins e Cléber Azevedo tem “caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações”, indicando uma “relação de amizade”. A Promotoria afirma que “Cléber Azevedo mantinha relação de amizade com o coronel Pereira Martins, vínculo que permaneceu mesmo depois do investigado ter sido alvo de grandes e notórias operações da Polícia, como a Operação Fractal, deflagrada no final de 2022”.
Operação Janus e o tribunal do crime
A divulgação das mensagens ocorre no âmbito da Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira, 21, contra um esquema de lavagem de dinheiro e o chamado “tribunal do crime” do PCC. O coronel Pereira Martins não é alvo da operação. O Estadão pediu manifestação da Polícia Militar sobre as menções ao coronel e busca contato direto com ele.
Disputa por imóvel de R$ 2 milhões e laços com Léo do Moinho
A investigação aponta que Cléber Azevedo mantinha proximidade com Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, principal liderança do PCC na região central de São Paulo. Segundo o MP, após uma disputa envolvendo o pagamento de R$ 2 milhões pela venda de um imóvel na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, com outro integrante da facção, Cléber submeteu o caso ao “tribunal do crime”. Para isso, contou com a intermediação de Antônio Carlos Ubaldo Júnior para chegar a Léo do Moinho, que participou da solução do impasse em prol de Cléber.
Lavagem de dinheiro e clientes do PCC
A relação entre Cléber e Léo do Moinho se estendeu além do julgamento no tribunal paralelo. Segundo os promotores, Léo tornou-se um dos principais clientes do esquema de lavagem de dinheiro operado pelo grupo de Cléber, utilizando a estrutura para converter dinheiro em espécie proveniente do tráfico de drogas em recursos formais no sistema financeiro. Léo está preso desde agosto de 2024, quando foi alvo da Operação Salus et Dignitas.



