Os setores têxtil e de calçados no Brasil estão sob dupla pressão: a valorização do real frente ao dólar e a concorrência acirrada de produtos asiáticos, especialmente chineses. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), as exportações do setor caíram 15% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto a produção recuou 20%.
Câmbio desfavorável reduz competitividade
O câmbio é apontado como o principal vilão. Com o real valorizado, os produtos brasileiros ficam mais caros no exterior, perdendo espaço para concorrentes de países como China e Vietnã. "A indústria nacional não consegue competir com os preços praticados pelos asiáticos, especialmente em um cenário de câmbio desfavorável", afirma o presidente da ABIT, Fernando Pimentel. Segundo ele, a situação é agravada pelos altos custos internos, como energia e logística.
Concorrência asiática e impacto no mercado interno
Além da perda de mercado externo, as empresas enfrentam a invasão de produtos importados no Brasil. Dados do Ministério da Economia mostram que as importações de têxteis e calçados cresceram 12% no primeiro semestre, com destaque para artigos chineses. Isso pressiona a indústria local, que vê suas margens encolherem. "Estamos perdendo mercado tanto lá fora quanto aqui dentro", lamenta Pimentel.
Setor busca alternativas
Para tentar reverter o quadro, a ABIT defende medidas como a redução da carga tributária e a modernização da infraestrutura. "Precisamos de políticas que estimulem a competitividade, como desoneração da folha e investimentos em logística", diz o presidente. Enquanto isso, algumas empresas apostam em nichos de maior valor agregado, como moda sustentável e tecidos tecnológicos, para escapar da concorrência por preço.
A expectativa do setor é de que o segundo semestre traga alguma recuperação, mas o cenário ainda é incerto. A ABIT projeta uma queda de 10% no faturamento anual, caso as condições atuais persistam.



