Thomson Reuters vende controle de publicações impressas à KKR por US$ 500 mi
Thomson Reuters vende publicações impressas à KKR

A Thomson Reuters anunciou a venda do controle de suas publicações impressas, incluindo a revista Veja, para o fundo de investimento KKR em uma operação avaliada em US$ 500 milhões. A transação marca a saída definitiva da empresa canadense do mercado de mídia impressa no Brasil, concentrando-se em seus negócios de tecnologia e informações financeiras.

Detalhes da transação

O acordo envolve a transferência de 100% das operações de mídia impressa da Thomson Reuters no Brasil, que incluem além de Veja, as revistas Exame, Você S/A e Info. A KKR assumirá o controle acionário, enquanto a Thomson Reuters manterá uma participação minoritária e continuará fornecendo serviços de tecnologia e dados por um período de transição.

A operação foi estruturada por meio da criação de uma nova empresa, que será controlada pela KKR. O valor de US$ 500 milhões inclui a assunção de dívidas e obrigações trabalhistas. Segundo fontes próximas à negociação, a KKR planeja investir na modernização das publicações, com foco em plataformas digitais e novos modelos de assinatura.

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Impacto no mercado editorial

A venda reflete a tendência global de consolidação no setor de mídia impressa, que enfrenta queda de circulação e receitas publicitárias. No Brasil, o mercado de revistas encolheu 15% nos últimos dois anos, segundo dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC). A Thomson Reuters, que adquiriu a Editora Abril em 2019 por US$ 1,2 bilhão, agora se desfaz do negócio após não conseguir reverter as perdas.

Especialistas apontam que a KKR, com experiência em reestruturação de empresas de mídia nos Estados Unidos e Europa, pode trazer uma gestão mais enxuta e investimentos em tecnologia. No entanto, há preocupações com possíveis cortes de empregos. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo estima que cerca de 800 postos de trabalho estejam em risco.

Declarações oficiais

Em comunicado, o CEO da Thomson Reuters, Steve Hasker, afirmou: “Esta transação nos permite focar em nosso core business de informações jurídicas, fiscais e financeiras, onde temos vantagens competitivas claras. A KKR tem o conhecimento e os recursos para levar essas marcas icônicas a um novo patamar.”

Já o representante da KKR no Brasil, Marcos Assumpção, disse: “Estamos comprometidos em preservar o legado jornalístico dessas publicações e, ao mesmo tempo, impulsionar sua transformação digital. Acreditamos no potencial de crescimento do mercado de conteúdo de qualidade no Brasil.”

Reações do mercado

O anúncio foi recebido com cautela pelos investidores. As ações da Thomson Reuters na Bolsa de Toronto caíram 1,2% no dia do anúncio, enquanto o mercado aguarda mais detalhes sobre a estratégia da KKR. Analistas do Credit Suisse classificaram a venda como “positiva para a Thomson Reuters, pois elimina um negócio de baixa margem e libera capital para aquisições em tecnologia”.

Para a KKR, a aquisição representa uma aposta no mercado brasileiro de mídia, que apesar das dificuldades, ainda atrai grandes anunciantes. O fundo já possui investimentos no setor de comunicação no país, como participação na operadora de TV a cabo Vivo.

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