Tesla, Nestlé e Coca-Cola pedem que tarifas dos EUA excluam Brasil
Tesla, Nestlé e Coca-Cola pedem exclusão de tarifas ao Brasil

Grandes empresas americanas enviaram cartas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) solicitando que produtos importados do Brasil sejam excluídos da imposição de tarifas adicionais sob a investigação da Seção 301. As manifestações de gigantes como Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay, enviadas no dia 1º de julho, alertam para os impactos negativos na competitividade, nas cadeias de suprimentos e no bolso dos consumidores dos EUA caso as barreiras sejam adotadas.

Audiências públicas e contexto político

Nesta segunda-feira (6), iniciaram-se as audiências públicas sobre o tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros. O USTR é o órgão responsável por formular a política comercial dos EUA, conduzir investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e recomendar medidas, como a imposição de tarifas. Além da tarifa de 12,5%, o órgão propõe outra taxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos.

A mobilização empresarial ocorre paralelamente a um momento de forte tensão diplomática. Documentos enviados pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) à Câmara mostram que o Itamaraty vê "risco" de o governo de Donald Trump usar "força militar" contra o território brasileiro após os EUA terem classificado unilateralmente as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Na semana passada, o Departamento do Tesouro americano já congelou bens de dois brasileiros e de quatro empresas por supostas ligações com o PCC.

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Argumentos das empresas

Apesar do cenário político conflagrado, as corporações americanas argumentam que punir comercialmente os insumos do Brasil trará prejuízos internos imediatos para a economia dos EUA. Veja abaixo o que pede cada empresa:

Tesla

A montadora de veículos elétricos e sistemas de energia pede que o USTR isente os insumos industriais vindos do Brasil. A empresa do bilionário Elon Musk afirma que está investindo bilhões de dólares para nacionalizar e diversificar sua cadeia de suprimentos nas Américas. Contudo, a transição leva tempo e certos insumos fundamentais para setores avançados (como veículos elétricos, robótica e baterias) ainda não podem ser produzidos nos EUA com a escala e qualidade necessárias. A Tesla defende que aplicar taxas de forma mais rápida do que a capacidade de o mercado interno se adaptar vai prejudicar os trabalhadores e consumidores americanos.

Nestlé

A multinacional do setor de alimentos solicita a expansão da lista dos isentos e inclusão de dois produtos específicos importados do Brasil: o café instantâneo não aromatizado (café solúvel) e o colágeno bovino. A Nestlé pontua que o café em grão não pode ser cultivado em escala comercial nos EUA continental, e que o Brasil é o principal exportador global de colágeno bovino, cuja cadeia americana não supre a demanda de produtos de saúde e bem-estar. A companhia ressalta que 96,7% de suas cadeias de suprimentos de commodities primárias já foram avaliadas como livres de desmatamento até o final de 2025, rebatendo preocupações ambientais.

Coca-Cola

A fabricante de bebidas solicita que o governo dos EUA mantenha a isenção já proposta para o suco de laranja de origem brasileira e adicione o limão (e derivados) à lista de produtos livres de tarifas ou conceda um período de transição. A companhia reportou que a produção de laranja na Flórida despencou drasticamente de 242 milhões de caixas na safra 2003/04 para uma estimativa de apenas 12 milhões em 2025/26 devido a doenças climáticas e pragas. O Brasil tornou-se um fornecedor suplementar vital para garantir o café da manhã das famílias americanas, diz o documento. Mudar de fornecedores de cítricos exige tempo para testes de segurança alimentar, e novas tarifas iriam apenas encarecer os custos de produção internamente, segundo a companhia.

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eBay

A plataforma global de comércio eletrônico recomenda que o USTR modifique a proposta de ação para criar uma isenção categórica para produtos de segunda mão, usados e seminovos. O eBay explica que as tarifas foram desenhadas como um sinal de preço direcionado à produção industrial e agrícola do Brasil. Um produto usado, no entanto, já teria cumprido seu ciclo de vida. O fabricante original já foi pago e a taxa penalizaria apenas o revendedor e o consumidor de baixa renda que busca economizar, argumentou a plataforma. Além disso, a empresa aponta ser inviável exigir declarações precisas de país de origem para itens usados (cerca de 30% das roupas chegam para revenda sem etiquetas), o que geraria um custo burocrático e operacional desproporcional para a alfândega e pequenos negócios.