A T4F (Time For Fun), uma das maiores empresas de entretenimento do Brasil, anunciou nesta quarta-feira que obteve a adesão necessária de acionistas em sua Oferta Pública de Aquisição (OPA) para o fechamento de capital. A companhia, que organiza grandes eventos como shows e festivais, informou que a quantidade de ações aceitas na OPA atingiu o percentual mínimo exigido pela regulamentação da B3, a bolsa de valores brasileira.
Detalhes da OPA e adesão dos acionistas
Segundo comunicado ao mercado, a OPA foi lançada pelo acionista controlador, que detinha aproximadamente 70% do capital social. A oferta visava adquirir as ações em circulação (free float) ao preço de R$ 12,50 por ação. A adesão mínima necessária era de 50% das ações em circulação, e a empresa confirmou que esse percentual foi superado, com cerca de 55% dos papéis sendo ofertados pelos acionistas minoritários.
Com isso, a T4F cumpre uma das etapas cruciais para o fechamento de capital, processo que vinha sendo discutido desde o início do ano. A operação ainda precisa ser aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela B3, mas a expectativa é que o processo seja concluído nos próximos meses.
Motivações para o fechamento de capital
Em nota, a empresa justificou a decisão de fechar o capital como parte de uma estratégia de reestruturação, visando reduzir custos com compliance e aumentar a flexibilidade para investimentos de longo prazo. “A saída da bolsa permitirá à T4F focar em seu plano de crescimento sem a pressão de resultados trimestrais, além de simplificar a estrutura de governança”, afirmou o diretor-presidente, Fernando Alterio, em comunicado.
A T4F enfrenta desafios desde a pandemia de Covid-19, que impactou severamente o setor de eventos. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 45 milhões em 2025, após um lucro de R$ 12 milhões em 2024. A recuperação gradual do setor, com a retomada de grandes shows e festivais, ainda não foi suficiente para restaurar a rentabilidade aos níveis pré-pandemia.
Impacto para os acionistas e mercado
Para os acionistas que aceitaram a OPA, o preço de R$ 12,50 representa um prêmio de 15% sobre a cotação média dos últimos 30 dias antes do anúncio da oferta. No entanto, alguns minoritários criticaram o valor, considerando-o abaixo do potencial de recuperação da empresa. A associação de investidores minoritários (AIM) já havia se manifestado contra a OPA, mas a adesão majoritária indica que a maioria dos acionistas preferiu liquidar suas posições.
O fechamento de capital da T4F reduzirá a liquidez das ações no mercado, que já era baixa. A empresa será retirada do segmento Bovespa Mais, onde estava listada desde 2017. A expectativa é que, após o fechamento, a T4F possa buscar novas fontes de financiamento, como dívida ou investimento de private equity, para financiar sua expansão.
Próximos passos
A T4F agora aguarda a homologação do resultado da OPA pela B3 e pela CVM, o que deve ocorrer em até 30 dias. Após a aprovação, a empresa solicitará o cancelamento do registro de companhia aberta. A data do leilão para a aquisição das ações remanescentes, caso haja, ainda não foi definida.
Analistas do mercado financeiro apontam que o movimento de fechamento de capital não é isolado. Nos últimos dois anos, pelo menos 15 empresas brasileiras fecharam capital ou anunciaram planos para tal, citando a baixa liquidez e o alto custo de manutenção na bolsa. A T4F se junta a nomes como a varejista Marisa e a construtora Rossi, que também optaram por sair da B3.



