A SAF do Atlético-MG completou três anos em operação em meio a uma relação estremecida com a torcida, ausência de títulos de expressão e aumento da dívida. O clube, gerido pelos bilionários Rubens e Rafael Menin, vive momento de alta cobrança externa.
Histórico da SAF e resultados esportivos
Em 20 de julho de 2023, o Conselho Deliberativo do Atlético aprovou a venda de 75% da SAF. Na época, o grupo era comandado pelos 4Rs (Rubens e Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador). Atualmente, os dois últimos são minoritários no negócio.
O torcedor do Atlético não chegou a viver "lua de mel" com os donos no modelo SAF. Em 2024, ano seguinte à aquisição, o Galo foi finalista da Libertadores e da Copa do Brasil, mas acabou com o vice nas duas competições. Ganhou o Campeonato Mineiro pela quinta vez seguida. Externamente, as cobranças apareceram fortes.
No Brasileirão, a pior campanha da "Era SAF": o Atlético terminou o campeonato na 12ª posição, com 47 pontos, e brigou até a última rodada contra o rebaixamento. Ficou fora da Libertadores - principal competição do continente.
Em 2025, veio a tentativa de reformular o elenco. Levou o hexacampeonato do Estadual, mas parou por aí. No Brasileirão, mais uma frustração. A equipe terminou a campanha na 11ª posição, com 48 pontos, ficando, mais uma vez, fora da Libertadores. O que restou ao Galo foi a disputa da Sul-Americana. Outra desilusão. Na final contra o Lanús, o Alvinegro amargou o terceiro vice da "Era SAF".
Reformulação e nova gestão
Neste ano, o Atlético apostou em uma reformulação tímida, com jogadores operários, sem grandes nomes do futebol brasileiro e mundial. Até então, a torcida esbarra nos maus exemplos dos últimos anos para projetar a atual temporada. No Mineiro, ficou com o vice-campeonato, após os seis anos no topo.
Na Série A, o Galo está na 11ª posição, com 24 pontos e segue distante do principal objetivo da temporada: garantir vaga na Libertadores 2027. Na Copa do Brasil, o time encara o Juventude (oitavas de final) e aguarda o vencedor de Sporting Cristal x Bragantino para conhecer o adversário das oitavas da Sul-Americana.
Fora dos gramados, o clube passou por uma grande mudança na gestão. Bruno Muzzi deixou o cargo de CEO, e Pedro Daniel assumiu o posto. Com ele, vieram novas formas de governança e uma maior participação no futebol. Ele se transformou em um presidente - representante dos acionistas no dia a dia.
O discurso também foi alterado. Se antes a promessa era de grandes contratações e conquistas, Daniel alinhou as expectativas com a realidade do Atlético: foco na dívida e tornar o clube viável operacionalmente sem depender de aportes.
Em meio a isso, Rafael Menin resolveu se afastar do dia a dia alvinegro. Ele vinha de uma relação de bastante desgaste com a torcida por diversas situações: o resultado esportivo e até como se deu a saída de Hulk do Galo.
Relação com a torcida e queda de público
O afastamento do torcedor é perceptível na arquibancada. Desde a inauguração do estádio, o Atlético teve a pior média de torcedores no primeiro semestre de 2026, considerando o recorte de 17 jogos. No total, 402.375 torcedores marcaram presença no estádio, uma média de 23.669 por partida. Em 2024, ano com a melhor média, 574.895 torcedores foram à Arena MRV, neste recorde de 17 partidas, com média de 33.817 mil por jogo.
O Atlético trabalha em várias frentes para tentar se reaproximar do torcedor. Um dos caminhos foi a criação do Conselho da Massa, um espaço para ouvir as demandas da torcida. O clube também tem procurado formas para tornar a Arena MRV mais acessível. Para isso, criou o sócio do Instituto do Galo, com um valor simbólico de R$ 13 por ano, e um projeto para proporcionar, de forma gratuita, que torcedores conheçam o estádio e assistam a um jogo.
Aumento da dívida e aportes
Outro legado da SAF foi o aumento da dívida do clube. Para o ge, esse total chega a R$ 2,66 bilhões. Dessa quantia, são abatidas as receitas antecipadas a curto prazo (R$ 91 milhões), a longo prazo (R$ 356 milhões) e o total em caixa, no fim de 2024 (R$ 174 milhões). Com isso, chega-se ao valor de R$ 2,196 bilhões acumulados. Em 2024, este valor era de R$ 1,814 bilhão.
Nesta temporada, a SAF passou por modificação no quadro de acionistas. Isso porque a família Menin fez aporte de R$ 530 milhões para atacar a dívida bancária. Com isso, Rubens e Rafael Menin agora detêm 83,5% da SAF atleticana.
À frente da SAF, os bilionários têm como diretriz a saúde financeira. Tanto a família Menin quanto os dirigentes já deixaram claro que a ideia não é fazer grandes investimentos por ora. O objetivo é reduzir a dívida para que, a longo prazo, o Atlético seja protagonista no cenário nacional.



