A LVMH, maior conglomerado de luxo do mundo, divulgou nesta quarta-feira resultados do segundo trimestre que deixaram o mercado cauteloso quanto à recuperação do setor. A receita orgânica caiu 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, abaixo das expectativas de analistas que previam estabilidade.
Desempenho por segmento e região
O segmento de moda e artigos de couro, que inclui marcas como Louis Vuitton e Dior, registrou queda de 2% nas vendas. Já a divisão de vinhos e destilados teve retração de 5%, impactada pela menor demanda na China e nos Estados Unidos. A região Ásia (excluindo Japão) apresentou declínio de 6%, enquanto a Europa cresceu 3% impulsionada pelo turismo.
“O mercado chinês continua desafiador, com os consumidores ainda cautelosos em seus gastos discricionários”, afirmou Jean-Jacques Guiony, CFO da LVMH, durante teleconferência com analistas. “Não vemos sinais claros de recuperação no curto prazo.”
Margens e perspectivas
A margem operacional do grupo recuou para 33,2%, contra 34,5% um ano antes, refletindo maiores custos com marketing e logística. O lucro líquido caiu 8%, para 7,2 bilhões de euros. Para o segundo semestre, a empresa evitou fornecer guidance, citando volatilidade geopolítica e macroeconômica.
Analistas do setor apontam que os números da LVMH podem sinalizar um arrefecimento do boom pós-pandemia. “O mercado de luxo está perdendo ímpeto, especialmente na China, que era o principal motor de crescimento”, comentou Luca Solca, analista da Bernstein. “A recuperação depende de uma melhora na confiança do consumidor chinês.”
Impacto nas ações e concorrentes
As ações da LVMH caíram 2,5% na Bolsa de Paris após o balanço. O movimento negativo também atingiu outras empresas do setor, como Kering e Richemont, que têm resultados previstos para as próximas semanas. O índice de luxo europeu recuou 1,8%.
“A dúvida agora é se os consumidores de alto poder aquisitivo vão retomar os gastos ou se o setor entrará em um período de ajuste”, disse Guiony. A LVMH anunciou que continuará investindo em marketing e inovação, mas com foco em eficiência operacional para proteger margens.



