Positivo reduz dependência do varejo com foco em corporativo
Positivo reduz dependência do varejo com foco corporativo

A Positivo Tecnologia (POSI3) passou por uma profunda transformação estratégica nos últimos anos para reduzir sua dependência do mercado de computadores para o varejo e ampliar sua presença em segmentos de maior previsibilidade de receita. Como afirma Rodrigo Guercio, executivo responsável pela área corporativa da companhia, em entrevista ao InfoMoney, esse movimento começou após um processo de revisão estratégica realizado com apoio da consultoria McKinsey e culminou, em 2021, com a criação de uma estrutura voltada especificamente para atender empresas privadas.

Origem da estratégia corporativa

O executivo afirmou que uma das principais conclusões desse processo foi que a Positivo precisava expandir sua atuação no mercado corporativo, área em que historicamente tinha participação limitada. A partir daí, a companhia passou a estruturar uma unidade de negócios focada em soluções para empresas, buscando novas fontes de crescimento além do varejo e do setor público. “Isso significa que a Positivo abriu mão das coisas que a trouxeram até aqui? Não, significa que nós fomos atrás de diversificar o nosso negócio para ter uma empresa mais resiliente, mais previsível”, afirma Guercio.

Serviços e aquisições

Um dos primeiros movimentos foi aproveitar a rede de assistência técnica e suporte já existente para criar um portfólio mais amplo de serviços. A empresa, que tradicionalmente realizava manutenção e reparos de equipamentos vendidos aos clientes, percebeu que poderia usar sua capilaridade para fornecer soluções mais abrangentes, acompanhando uma mudança de comportamento das empresas. Segundo Guercio, o cliente corporativo atual não busca apenas comprar um computador, mas garantir disponibilidade de operação e suporte contínuo. A partir dessa percepção nasceu a Positivo Tech Services, plataforma de serviços que passou a oferecer atendimento para diferentes demandas de tecnologia dentro das organizações. “O cliente quer comprar a tranquilidade de que, se houver algum problema durante o período de trabalho, alguém vai lá resolver”, diz.

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Aceleração por meio de fusões e aquisições

O avanço da área levou a companhia a acelerar sua estratégia por meio de aquisições. Nesse contexto ocorreu a compra da Algar Tech, posteriormente rebatizada como Positivo S+, o maior movimento de fusões e aquisições da história da empresa, segundo o executivo. A transação ampliou a oferta de serviços gerenciados e expandiu significativamente o mercado endereçável da companhia. A diversificação ganhou força justamente por reduzir a exposição aos ciclos do varejo, segmento mais sujeito a oscilações econômicas e de consumo. Guercio afirma que o mercado corporativo oferece contratos de longo prazo e maior previsibilidade de receitas, contribuindo para a construção de um negócio mais resiliente.

Três frentes estratégicas no corporativo

Hoje, a estratégia da Positivo no segmento empresarial está concentrada em três grandes frentes. A primeira envolve infraestrutura de TI, servidores e soluções voltadas a aplicações de inteligência artificial e computação de alta performance. Nessa área, a companhia incorporou ativos da antiga Accept, atualmente denominada Positivo Servers & Solutions.

A segunda frente é a de meios de pagamento. A companhia desenvolveu, em parceria com o Itaú, a arquitetura das maquininhas conhecidas pela cor laranja utilizadas em diversos estabelecimentos comerciais. “Nós trouxemos toda a loja de aplicativos para dentro daquele device, desenvolveu o hardware e desenvolveu o stack de software”, diz Guercio. Além disso, a empresa vem investindo em novas tecnologias para pagamentos digitais. Nesta frente, um dos destaques, segundo o executivo, é o pioneirismo da companhia na adoção de plataformas baseadas em Android no setor. Algumas das soluções recentes exemplificam isso, como pagamento por aproximação e uma tecnologia capaz de realizar autenticação biométrica pela palma da mão, apresentada durante a AutoCom.

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A terceira frente estratégica é a oferta de serviços gerenciados de TI por meio da Positivo S+. De acordo com o executivo, a soma dessas chamadas “avenidas de crescimento” já transformou o perfil financeiro da companhia. O segmento de infraestrutura e serviços, identificado internamente pela sigla ISS, responde atualmente por cerca de metade da receita bruta da Positivo e tem sido um dos principais motores de expansão do EBITDA.

Evolução de produtos e percepção do consumidor

Outro ponto relevante para companhia é a percepção de parte dos consumidores de que alguns equipamentos da marca não atendiam adequadamente determinadas necessidades. Segundo o executivo, esse sentimento pode estar associado a um período em que a Positivo ainda não possuía uma diferenciação clara entre produtos voltados ao varejo e ao ambiente corporativo. “Em algum momento, foi usado o equipamento de varejo para o cliente corporativo e usou o equipamento que talvez não fosse o equipamento recomendado para aquela necessidade”, diz. Nos últimos anos, a companhia passou a desenvolver linhas específicas para cada perfil de cliente, incluindo equipamentos Positivo e Vaio (que a companhia detém a licença há uma década) direcionados exclusivamente ao mercado empresarial.

Além da evolução dos produtos corporativos, a empresa tem registrado melhora nos indicadores de satisfação dos clientes. O Net Promoter Score (NPS) da divisão corporativa apresentou seu maior avanço no último ano, reflexo do aprimoramento dos equipamentos, do suporte oferecido e da adequação das soluções às necessidades de uso das empresas.

Inteligência artificial e PC com IA

Ao falar sobre inteligência artificial, o executivo destaca o lançamento do Positivo Master Copilot PC, descrito como o primeiro notebook de uma fabricante brasileira equipado com a nova geração de processadores da Intel voltada para PCs com IA. “Cada tarefa que sai da nuvem e roda no dispositivo é um token que a empresa vai deixar de pagar. Isso muda a economia de IA corporativa”, diz o executivo. Atividades como transcrição, tradução, resumos de reuniões e algumas aplicações de IA generativa passam a ser executadas diretamente no dispositivo, reduzindo o consumo de tokens cobrados por plataformas em nuvem. Esse modelo ajuda a transformar custos variáveis de inteligência artificial em gastos mais previsíveis, ao mesmo tempo em que melhora a privacidade dos dados e diminui a dependência de conexão com a internet. “Hoje, quando uma empresa usa IA generativa na nuvem, a única certeza que ela tem é que a conta cresce de forma exponencial e muitas vezes imprevisível. O AI PC resolve parte dessa conta. Essa é a conta que todo mundo precisa fazer”, afirma Guercio.