Uma grande petroleira internacional avaliou que o balanço patrimonial e o nível de endividamento da Raízen estão em patamares aceitáveis para o ano de 2027, após a conclusão de um plano de reestruturação financeira e operacional. A análise, divulgada nesta quarta-feira, destaca a melhora nos indicadores de crédito da companhia brasileira de energia.
Reestruturação financeira reduz alavancagem
De acordo com relatório da petroleira, que não teve o nome revelado, a Raízen conseguiu reduzir sua relação dívida líquida sobre Ebitda de 4,5 vezes em 2025 para 2,8 vezes projetados para 2027. Esse movimento foi impulsionado pela venda de ativos não estratégicos e pelo aumento da geração de caixa operacional. A empresa também alongou o perfil da dívida, com vencimento médio passando de 3 para 5 anos.
“A Raízen demonstrou capacidade de executar seu plano de desalavancagem, o que nos dá confiança na sustentabilidade de sua estrutura de capital no médio prazo”, afirma o documento. A petroleira destacou ainda que a empresa manteve investimentos em projetos de biocombustíveis e renováveis, alinhados com a transição energética global.
Foco em eficiência operacional e renováveis
A avaliação positiva ocorre em meio ao plano estratégico da Raízen para 2027, que prevê aumento de 15% na produção de etanol e 20% na geração de energia a partir de biomassa. A empresa também anunciou parcerias para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável. Segundo a petroleira, esses projetos devem contribuir para a melhoria das margens e para a redução da volatilidade dos resultados.
“A diversificação do portfólio e o foco em eficiência operacional são fatores que mitigam riscos e fortalecem o perfil de crédito”, complementa o relatório. A petroleira também menciona que a Raízen tem conseguido repassar custos de matéria-prima para os preços finais, protegendo suas margens.
Dívida aceitável, mas com ressalvas
Apesar do cenário positivo, a petroleira ressalva que o endividamento ainda é elevado para os padrões do setor, especialmente se comparado a pares internacionais. A relação dívida líquida sobre Ebitda de 2,8 vezes é considerada aceitável, mas requer monitoramento constante. A empresa também destaca a exposição da Raízen a oscilações cambiais e ao preço do açúcar e do etanol no mercado internacional.
“Embora a trajetória seja favorável, a Raízen precisa manter disciplina financeira e evitar novos aumentos de alavancagem para sustentar a classificação de risco atual”, alerta o documento. A petroleira projeta que a empresa poderá atingir uma relação dívida líquida sobre Ebitda de 2,0 vezes até 2029, caso mantenha o ritmo de geração de caixa e desinvestimentos.
Impacto para investidores e mercado
A avaliação da petroleira é vista como um sinal positivo para o mercado de capitais, podendo facilitar o acesso da Raízen a linhas de crédito e a investidores institucionais. A empresa, que possui mais de R$ 30 bilhões em dívida bruta, tem como meta reduzir esse montante para R$ 25 bilhões até 2027. A petroleira também sugere que a Raízen pode considerar novas emissões de títulos verdes para financiar projetos de baixo carbono.
“A percepção de risco melhorou significativamente, o que deve se refletir em custos de captação mais baixos”, conclui o relatório. A Raízen não comentou oficialmente a análise.



