O número de pedidos de falência no Brasil registrou um aumento de 68% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 1.234 solicitações, segundo dados divulgados pela Serasa Experian. Este é o maior volume desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 impactou severamente a economia.
Setores mais afetados
Os setores de comércio e serviços lideram os pedidos, representando 72% do total. A indústria responde por 18%, e o agronegócio, por 10%. Entre as empresas que solicitaram falência, 65% são micro e pequenas empresas, enquanto 25% são médias e 10%, grandes.
Comparação com recuperações judiciais
O movimento de falências acompanha o aumento de recuperações judiciais, que cresceram 45% no mesmo período. Segundo a Serasa, muitos empresários recorrem à recuperação judicial como alternativa antes de optar pela falência. "O cenário econômico adverso, com juros altos e inflação persistente, tem pressionado as empresas, especialmente as de menor porte", afirmou o economista-chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi.
Impacto na economia
O aumento das falências reflete a dificuldade de acesso ao crédito e a redução do consumo das famílias. Especialistas apontam que a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, encarece o capital de giro e inviabiliza negócios com margens apertadas. A expectativa é que o número de pedidos continue elevado no segundo semestre, caso as condições econômicas não melhorem.
Medidas do governo
O Ministério da Economia anunciou, na última semana, a ampliação de linhas de crédito para pequenas empresas, com juros subsidiados. No entanto, a medida ainda não surtiu efeito prático, segundo analistas. "Precisamos de ações mais rápidas e eficazes para evitar uma onda de fechamentos", destacou o presidente da Associação Nacional de Pequenos Empresários, Carlos Alberto dos Santos.



