Startup brasileira Pax capta US$ 40 milhões para segurança com IA
Pax capta US$ 40 milhões para segurança pública com IA

A startup brasileira Pax, que desenvolveu a primeira plataforma de investigação policial com inteligência artificial do País, anunciou uma rodada seed de US$ 40 milhões, uma das maiores já realizadas nesse estágio na América Latina e a maior no Brasil. O aporte foi liderado pelos fundos Greenoaks e Benchmark.

Resultados em Luziânia

Em sua primeira implantação em larga escala, na cidade de Luziânia, em Goiás (então conhecida como Paladium), a Pax ajudou as forças de segurança goianas a reduzirem em 27% os crimes violentos, dobrando a efetividade policial e elevando em 59% a sensação de segurança da população em apenas seis meses.

Ao longo do último ano, as forças de segurança que usam a plataforma já esclareceram mais de 2.000 casos criminais, entre homicídios, roubos a mão armada e furtos de veículos, em mais de 30 cidades brasileiras.

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Da Paladium à Pax

Por cerca de dois anos, a Pax atuou com o nome Paladium, sua razão social, validando sua tecnologia e seu impacto antes de lançar-se a público. A marca Pax, adotada a partir de agora, traduz a missão da companhia: a palavra significa paz em latim, alinhada ao objetivo de contribuir para a segurança pública.

O problema da segurança na América Latina

A violência custa à América Latina cerca de 3,5% do PIB da região, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (aproximadamente US$ 241 bilhões em 2025). O roubo de celular é tão comum no Brasil que cerca de 10% da população tem o aparelho roubado a cada ano – aproximadamente dois a cada minuto.

Nos casos mais graves, a elucidação dos crimes é baixa: no Brasil, são registrados cerca de 40 mil homicídios por ano, e menos de quatro em cada dez são esclarecidos, segundo o Instituto Sou da Paz. A média global é de 63%, e na Europa chega a 92%.

Como funciona a plataforma

“O gargalo das investigações policiais são os dados”, afirma David Peixoto, fundador e CEO da Pax, que já fez parte do founding team da Arco (maior edtech do Brasil e primeira empresa brasileira a abrir capital diretamente na Nasdaq) e co-fundou a Isaac. “Construímos a Pax do zero para organizar essas informações e pistas do mundo físico e torná-los úteis em tempo real. O policial decide. A plataforma multiplica sua eficiência.”

Diferentemente de sistemas antigos que incorporaram IA em ferramentas já criadas há uma década, a Pax foi construída focada nessa tecnologia. A plataforma se conecta com câmeras em pontos críticos das cidades. Uma camada de IA organiza os dados do mundo real – veículos, pessoas, locais, boletins de ocorrências – em uma rede de inteligência continuamente atualizada, que gera pistas de investigação e alertas em tempo real. Toda consulta fica registrada, e todo acesso é atribuído a um usuário identificado, garantindo transparência e auditabilidade.

Investidores e equipe

“Pergunte a qualquer brasileiro o que ele mais quer ver resolvido, e a resposta é uma só: segurança”, diz Andrew Cohen, sócio da Greenoaks, que já investiu em companhias como Coupang, Brex, Revolut, Flock Safety e Anthropic. No portfólio da Benchmark estão Uber, eBay, Instagram e Snap.

“Por décadas, as polícias da região tiveram acesso restrito à tecnologia para coordenar e interpretar os dados disponíveis. Quando investimos na Pax pela primeira vez, acreditávamos que o time entregaria a primeira plataforma de segurança pública da região capaz de operar em tempo real. Hoje, os roubos de veículos despencaram no primeiro estado em que a Pax opera, e os policiais não conseguem mais imaginar trabalhar sem ela. Acreditamos que a Pax vai se tornar a empresa de segurança pública de referência na América Latina”, ressalta Cohen.

O time da Pax reúne engenheiros formados em Stanford, Harvard e MIT, ao lado de graduados do ITA e da USP – muitos deixaram carreiras nas maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos para voltar ao Brasil e construir a Pax.

“Por décadas, a violência na América Latina pareceu inevitável. Acreditamos que ela é inaceitável – e tem solução. Estamos apenas começando”, afirma o fundador e CEO da Pax.

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