O Brasil registrou em junho o maior volume de importações de sua história, impulsionado pela chamada MP das blusinhas, que elevou a alíquota do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. O movimento gerou críticas da indústria nacional, que vê a medida como prejudicial ao setor produtivo.
Recorde histórico de importações
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as importações brasileiras totalizaram US$ 23,5 bilhões em junho, alta de 18% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse é o maior valor já registrado para um único mês na série histórica, iniciada em 1997.
O crescimento foi puxado principalmente por bens de consumo, como eletrônicos, brinquedos e vestuário, categorias diretamente afetadas pela medida provisória que reduziu a isenção fiscal para compras internacionais de até US$ 50. Antes da MP, essas compras eram isentas de imposto de importação; agora, passaram a pagar uma alíquota de 20%.
Indústria critica governo
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) classificou a medida como “incoerente” e afirmou que o governo está “incentivando a desindustrialização”. Em nota, a entidade disse que “a MP das blusinhas, em vez de proteger a indústria nacional, está gerando um efeito contrário, com aumento das importações e prejuízo para a produção local”.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, também criticou a decisão. “O governo precisa rever essa política. A indústria nacional não consegue competir com os preços praticados por plataformas estrangeiras, que se beneficiam de isenções fiscais e mão de obra barata”, afirmou.
Impacto nas contas externas
O recorde de importações também pressiona a balança comercial. Em junho, o superávit comercial foi de US$ 6,7 bilhões, 15% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Economistas avaliam que a tendência de alta nas importações deve continuar nos próximos meses, especialmente com a aproximação das festas de fim de ano.
“A MP das blusinhas estimulou as compras online no exterior, pois muitos consumidores anteciparam aquisições com medo de novas alíquotas. O resultado é um aumento pontual, mas significativo, das importações”, explicou a economista-chefe do Banco XYZ, Maria Silva.
Governo defende medida
O Ministério da Fazenda, por sua vez, defendeu a MP como necessária para aumentar a arrecadação e reduzir a desigualdade tributária. Em nota, a pasta informou que “a medida visa equilibrar a concorrência entre o comércio local e as plataformas internacionais, além de gerar recursos para programas sociais”.
Dados da Receita Federal mostram que, apenas em junho, a arrecadação com o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 foi de R$ 1,2 bilhão, valor que antes era zero. O governo estima que a MP deve gerar uma receita adicional de R$ 8 bilhões por ano.



