A Pampa Energia confirmou oficialmente a construção de uma nova fábrica de ureia na Argentina, com investimento total de US$ 2,7 bilhões. O projeto, que visa atender principalmente o mercado brasileiro, representa um dos maiores aportes do setor de fertilizantes na região.
Detalhes do investimento
A unidade será instalada na província de Río Negro, na região da Patagônia argentina, aproveitando as reservas de gás natural da bacia de Vaca Muerta. A previsão é que a fábrica tenha capacidade de produção de 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano, o suficiente para abastecer cerca de 15% da demanda brasileira do insumo.
De acordo com a empresa, o projeto já está em fase de engenharia básica e as obras devem começar em 2027, com entrada em operação comercial prevista para 2030. A Pampa Energia estima que a fábrica gerará 5 mil empregos diretos durante a construção e 800 postos permanentes após a conclusão.
Impacto no mercado brasileiro
O Brasil é o maior importador de fertilizantes do mundo, dependendo de cerca de 85% do consumo de ureia de fornecedores externos, principalmente Rússia, China e Oriente Médio. A nova fábrica argentina pode reduzir a dependência brasileira desses mercados, oferecendo uma alternativa logística mais próxima e com custos de frete menores.
"A proximidade com o Brasil é um diferencial competitivo importante. Estamos falando de redução de prazos de entrega e menor volatilidade cambial nas transações", afirmou o CEO da Pampa Energia, Gustavo Mariani, em comunicado oficial.
Parcerias e financiamento
O investimento será financiado com recursos próprios da empresa e linhas de crédito de bancos de desenvolvimento, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o CAF - Banco de Desenvolvimento da América Latina. A Pampa Energia também negocia parcerias com traders brasileiros para garantir a comercialização da produção.
Segundo a consultoria Argus Media, o preço médio da ureia no mercado internacional deve se manter em torno de US$ 350 por tonelada nos próximos anos, o que torna o projeto viável economicamente. A fábrica argentina terá custo de produção estimado em US$ 200 por tonelada, garantindo margens competitivas.
Contexto geopolítico
A iniciativa ocorre em meio a tensões no mercado global de fertilizantes, agravadas pela guerra na Ucrânia e sanções à Rússia. A Argentina, que possui a segunda maior reserva de gás não convencional do mundo, busca se posicionar como fornecedora estratégica para o agronegócio brasileiro.
O governo argentino já sinalizou apoio ao projeto, com incentivos fiscais e garantias de fornecimento de gás a preços competitivos. A província de Río Negro também ofereceu benefícios como isenção de impostos provinciais por 10 anos.
"Este é um projeto soberano para a Argentina, que agrega valor ao nosso gás natural e fortalece a integração regional com o Brasil", declarou o governador de Río Negro, Alberto Weretilneck.
Desafios e perspectivas
Especialistas apontam que o sucesso do projeto depende da estabilidade macroeconômica argentina e da conclusão de obras de infraestrutura, como gasodutos e terminais portuários. A Pampa Energia já iniciou estudos para ampliar o terminal de águas profundas de San Antonio Este, que escoará a produção.
Se concretizado, o complexo de ureia será o maior investimento industrial privado da história da província de Río Negro e um marco na relação comercial entre Argentina e Brasil no setor de fertilizantes.



