Operação Miragem revela que Banco Digimais replicou modelo fraudulento do Banco Master com FGC
Operação Miragem: Digimais replicou modelo do Master com FGC

A Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal (PF), revelou fortes indícios de que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, replicou o modelo de negócios do Banco Master. A estratégia consistia em usar o limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como chamariz para investimentos em produtos com rendimentos acima do mercado e, portanto, de maior risco, degenerando a natureza do FGC.

O papel do FGC e o esquema dos CDBs

Criado em 1995, o FGC tem três objetivos principais: contribuir com a estabilidade do sistema financeiro, prevenir crises bancárias sistêmicas e proteger depositantes e investidores, sobretudo os pequenos. No entanto, tanto o Master quanto o Digimais, segundo a PF, não foram vítimas de crises globais ou problemas pontuais de liquidez. O patrimônio do banco de Daniel Vorcaro era uma peça de ficção, composto por ativos superavaliados ou fruto de fraude.

O Master emitiu grande volume de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com retornos de 130% a 140% do CDI, muito acima da média dos grandes bancos de varejo, que são os principais financiadores do FGC. Plataformas de investimento enfatizavam a garantia do FGC, que restitui até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de quebra. Liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) no final de 2023, o Master causou um rombo de mais de R$ 50 bilhões no FGC.

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Digimais repete o modus operandi

De acordo com a PF, o banco de Edir Macedo "replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito". Isso configura a replicação do modus operandi do Master.

Um dos possíveis desdobramentos da Operação Miragem é a liquidação do Digimais pelo BC. Sob escrutínio da PF e do BC, o Digimais deixou de ser interessante para o BTG, que negociava a compra da instituição. Caso liquidado, o Digimais deve ampliar o consumo bilionário do caixa do FGC, já desfalcado pelo Master.

Impactos no sistema financeiro e no spread bancário

Com promessas de ganhos estratosféricos, Master e Digimais zombaram dos rendimentos modestos dos CDBs de grandes instituições e deixaram para esses bancos a conta de suas supostas fraudes. Além disso, prejudicaram bancos pequenos e médios sérios. Embora não se saiba exatamente como o FGC se reabilitará de um potencial baque com o Digimais, é provável que o cliente bancário comum pague a conta, com aumento do já elevado spread bancário, já que os bancos podem ser obrigados a aportar mais recursos no FGC.

Reflexos no BRB

Com a eclosão do caso Digimais, o Banco de Brasília (BRB), que já enfrentava dificuldades para levantar recursos com o FGC mesmo com a chancela do STF, deve encontrar mais obstáculos para obter um empréstimo bilionário do fundo. A Procuradoria-Geral do Distrito Federal afirma que o BRB não tem condições de honrar esse compromisso.

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