A Fiat confirmou que seu aguardado novo hatchback para o mercado brasileiro, derivado do Grande Panda, vai se chamar Argo X. A informação foi dada por Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, na segunda-feira, 20.
Convivência entre gerações
O executivo destacou que o novo carro vai conviver com a atual geração do Argo por tempo indeterminado. “Trata-se de um dos carros mais vendidos do Brasil. Enquanto o cliente estiver comprando, vamos oferecer. Se for por cinco anos, tudo bem. Se for por um ano, também”, disse Zola.
Zola lembrou que, em 2020, quando a Fiat passou por um reposicionamento de marca, uma pesquisa revelou que matar produtos muito rapidamente era uma das razões para a empresa perder mercado. “Quando você mata um veículo, acaba com o valor residual dele. Decidimos que nossos produtos vão sempre ter um ciclo de vida que respeita a decisão do cliente que escolhe a Fiat.”
Design e características do novo Argo
Em breve contato com o Grande Panda na sede americana da Stellantis (Auburn Hills, Michigan) durante o Investor Day da Stellantis, o Jornal do Carro pôde desvendar uma prévia do novo Argo. O modelo será lançado ainda em 2026, em compasso com as comemorações pelos 50 anos da Fiat no Brasil, onde estreou em 9 de julho de 1976 em Betim, Minas Gerais, produzindo o 147.
Não é preciso muito tempo com o Grande Panda/Argo para perceber que seu apelo é o lúdico. Difícil encontrar um adjetivo que defina seu exterior, com jeito de carro de game dos anos 1980, como se chanfrado em todas as faces. Seu conjunto ótico – sobretudo o frontal, uma espécie de reunião de pixels – parece um atestado explícito de que sua vocação é romper com o padrão estético vigente com uma abordagem digital, pop e até festiva.
A cabine está longe de ser refinada, mas é divertida e jovial. O aproveitamento de espaço traz soluções originais, como os compartimentos acima do porta-luvas. A peça amarela de acrílico emoldurando a central multimídia e o painel digital talvez canse em pouco tempo, mas é o atestado de que ao volante de um Grande Panda não se quer guerra com ninguém. O volante tem ótima empunhadura, simpática e imponente como há tempos a marca não fazia. O acabamento é realmente simples, mas a boa montagem das peças e a colorida combinação de cores tornam a cabine do Grande Panda um ambiente agradável.
Contexto histórico e estratégico
De certo modo, o novo Argo delineia o início de uma nova era na Fiat, ao lado de Jeep, Ram e Peugeot, uma das quatro marcas agora globais da Stellantis, destino de 70% dos investimentos da empresa em novas tecnologias até 2030.
O Panda foi lançado em 1980 para dar início à nova era de carros populares da Fiat, sucedendo os icônicos 500 (1957) e 126 (1972). Qualquer semelhança visual com o Uno não é mera coincidência: ambos foram desenhados por Giorgetto Giugiaro, que também tem no currículo a autoria de ícones como Lotus Esprit, Maserati Ghibli, DeLorean DMC-12 e Volkswagen Passat.
Compacto por fora e espaçoso por dentro, o Panda esbanjava versatilidade com seu banco traseiro que podia se dobrar e virar uma cama ou ser removido para ampliar o espaço de carga. Cobriam os bancos capas removíveis para lavagem, assim como o forro das portas. Com a versão Elettra, de 1990, o Panda flertou com a eletricidade muito antes do avanço em curso dos híbridos e elétricos. Dotado de 12 baterias de chumbo-ácido acomodadas sob o capô e no porta-malas, rodava cerca de 95 km com uma carga e não passava dos 70 km/h. Resistiu até 1998. Entre as versões especiais, a Italia 90 se destaca pelas rodas temáticas – naquele ano, o país sediava a Copa do Mundo. Ainda mais rara é a Selecta, equipada com câmbio automático e que não passou das 200 unidades.
Modesto no tamanho e grandioso na personalidade, o Panda foi para a Fiat o que o 4 e o 2CV significaram para Renault e Citroën, respectivamente: transporte barato para as massas. Em 2003, a primeira geração se despediu após acumular mais de 4 milhões de unidades vendidas; a segunda foi até 2012, quando deu lugar à terceira, esta substituída pela atual quarta em 2025.



