A Natura & Co enfrenta um momento crítico após divulgar uma queda de 5,5% na receita do segundo trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa, que vem passando por um processo de reestruturação e integração com a Avon, precisa agora convencer o mercado de que os gargalos operacionais que afetaram seus resultados são pontuais e não estruturais.
Resultados financeiros abaixo das expectativas
No segundo trimestre, a receita líquida da Natura & Co totalizou R$ 8,9 bilhões, abaixo das projeções de analistas que esperavam cerca de R$ 9,2 bilhões. O lucro líquido também recuou, caindo 12% para R$ 487 milhões. As margens foram pressionadas por custos logísticos mais altos e despesas com a integração das operações da Avon, adquirida em 2020.
Segundo a empresa, os problemas logísticos foram causados por atrasos na implementação de um novo sistema de gestão de armazéns e pela reorganização da rede de distribuição. "Estamos enfrentando desafios temporários na nossa cadeia de suprimentos, mas já estamos tomando medidas corretivas", afirmou o CEO João Paulo Ferreira, em teleconferência com investidores.
Integração com Avon ainda gera custos
A integração da Avon, que custou à Natura cerca de US$ 2 bilhões, continua sendo um ponto de atenção. As sinergias esperadas, de aproximadamente US$ 300 milhões anuais, ainda não se materializaram completamente. No segundo trimestre, as despesas com a integração somaram R$ 120 milhões, acima dos R$ 90 milhões previstos.
Analistas do Credit Suisse destacam que a Natura precisa demonstrar maior eficiência na gestão da Avon. "O mercado está cético quanto à capacidade da Natura de extrair valor da aquisição. Se os gargalos persistirem, a confiança pode se deteriorar ainda mais", escreveram em relatório.
Desafios no mercado internacional
Além dos problemas domésticos, a Natura enfrenta ventos contrários em mercados-chave como Argentina e México, onde a inflação e a desvalorização cambial impactam as vendas. Na América Latina, a receita caiu 3% no trimestre, excluindo efeitos cambiais. Já na Europa, as vendas da marca The Body Shop recuaram 2%, refletindo a desaceleração econômica.
A empresa, no entanto, mantém otimismo com o mercado brasileiro, onde as vendas diretas (sua principal força) cresceram 1% no trimestre. "O Brasil continua sendo nosso motor de crescimento, mas precisamos resolver os gargalos logísticos para aproveitar todo o potencial", disse Ferreira.
Perspectivas e reação do mercado
As ações da Natura & Co caíram 4,3% no pregão seguinte à divulgação dos resultados, acumulando queda de 18% no ano. O mercado aguarda agora os próximos trimestres para avaliar se as medidas corretivas anunciadas surtirão efeito. A empresa prevê que os gargalos logísticos sejam resolvidos até o final do quarto trimestre.
Para o analista da XP Investimentos, Pedro Fagundes, o desafio da Natura é provar que os problemas são pontuais. "Se a empresa conseguir normalizar as operações e mostrar crescimento consistente nos próximos trimestres, a confiança pode ser restaurada. Caso contrário, a pressão sobre a ação deve continuar."



