Movimento falimentar cresce 15% no primeiro semestre, aponta Serasa
Movimento falimentar cresce 15% no 1º semestre

O número de pedidos de falência no Brasil cresceu 15% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 1.234 solicitações, de acordo com dados divulgados pela Serasa Experian. O aumento foi puxado principalmente por micro e pequenas empresas, que responderam por 72% dos pedidos.

Setores mais afetados

Os setores de comércio varejista e serviços lideraram os requerimentos, com 45% e 30% do total, respectivamente. A indústria de transformação também registrou alta significativa, com crescimento de 22% nos pedidos. Segundo a economista-chefe da Serasa, Maria Silva, o cenário reflete a combinação de juros elevados, inflação persistente e queda no consumo das famílias. "As pequenas empresas estão sofrendo com a compressão de margens e a dificuldade de acesso ao crédito", afirmou.

Fatores macroeconômicos

O aperto monetário do Banco Central, que manteve a Selic em 14,25% ao ano, elevou o custo do capital e reduziu a capacidade de investimento das empresas. Além disso, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 6,8%, pressionando os custos operacionais. "Muitas empresas que já estavam endividadas não conseguiram se reerguer após os impactos da pandemia e agora enfrentam um ambiente de juros altos", explicou Silva. A taxa de inadimplência das pessoas jurídicas também subiu, atingindo 4,5% em junho, o maior patamar desde 2018.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Recuperações judiciais

Paralelamente, os pedidos de recuperação judicial recuaram 5% no período, somando 456 solicitações. O movimento indica que, diante do agravamento da crise, mais empresas estão optando diretamente pela falência em vez de tentar a reestruturação. "A recuperação judicial perdeu atratividade devido à morosidade da Justiça e às exigências cada vez mais rigorosas dos credores", destacou o advogado especialista em direito empresarial Carlos Pereira.

Perspectivas para o segundo semestre

As projeções da Serasa indicam que o número de falências deve continuar em alta nos próximos meses, caso o cenário macroeconômico não melhore. A expectativa é de que o segundo semestre registre um aumento de 10% a 15% em relação ao primeiro. O governo federal anunciou medidas de estímulo ao crédito para pequenas empresas, mas especialistas avaliam que os efeitos só devem ser sentidos a partir de 2027. Enquanto isso, o mercado segue atento à evolução dos indicadores de atividade econômica e à política monetária.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar