Morgan Stanley e JPMorgan avaliam varejo e vestuário; veja recomendações
Morgan Stanley e JPMorgan avaliam varejo e vestuário

Os resultados do primeiro trimestre de 2026 indicaram uma desaceleração no setor varejista, sem perspectivas claras de melhora significativa no trimestre seguinte, de acordo com análise do Morgan Stanley. Diante desse contexto, o banco adota uma postura cautelosa e seletiva, priorizando empresas expostas a tendências estruturais de crescimento, como o comércio eletrônico, além de varejistas de desconto e companhias brasileiras com baixo endividamento e potencial de ganhos operacionais.

Entre as principais recomendações do Morgan Stanley estão o Mercado Livre (BDR: MELI34), devido à sua exposição ao e-commerce, e, no Brasil, Lojas Renner (LREN3), C&A Brasil (CEAB3) e Vivara (VIVA3). Essas empresas combinam balanços sólidos com iniciativas capazes de impulsionar resultados independentemente do cenário macroeconômico.

JPMorgan otimista com vestuário no segundo trimestre

O JPMorgan, por sua vez, avalia que o setor brasileiro de vestuário deve apresentar um segundo trimestre melhor do que o mercado esperava, apesar do ambiente ainda desafiador para o consumo. O banco destaca que o segmento é altamente dependente de momento operacional e acredita que os comentários das empresas após os resultados do primeiro trimestre indicam uma demanda mais resiliente do que o previsto, favorecida pela queda das temperaturas no fim de maio.

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Embora o segundo trimestre enfrente uma base de comparação difícil, já que o inverno de 2025 começou mais cedo e impulsionou as vendas de coleções de inverno, o banco projeta crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) entre 4% e 5% para C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) e de cerca de 2% para Lojas Renner (LREN3).

Além disso, o JPMorgan acredita que as varejistas devem voltar a registrar expansão das margens brutas, impulsionadas por estoques mais equilibrados, melhor execução comercial e um câmbio mais favorável, cujos efeitos devem ser mais perceptíveis no segundo semestre.

Na visão dos analistas, as ações do setor negociam a múltiplos atrativos, em torno de 8 vezes o lucro projetado para 2026, com destaque para a C&A, negociada a aproximadamente 6 vezes o lucro estimado, sem depender de incentivos tributários. Por isso, a companhia é a preferida do banco entre as empresas de vestuário.

Apesar da visão positiva para o curto prazo, o JPMorgan alerta que há pouco espaço para decepções nos resultados, uma vez que o mercado permanece bastante focado no desempenho operacional de curto prazo e muitos investidores locais já mantêm posições relevantes, especialmente em C&A.

C&A (CEAB3)

O JPMorgan manteve recomendação overweight (compra) para a C&A e reduziu o preço-alvo de R$ 20 para R$ 18, refletindo apenas o aumento do custo de capital. Mesmo assim, o banco vê potencial de valorização de cerca de 60%. Os analistas destacam que os resultados do primeiro trimestre mostraram melhora operacional acima das expectativas, com aceleração das vendas nas mesmas lojas e expansão das margens, impulsionadas pelo foco da companhia no segmento de vestuário.

Para o segundo trimestre, o JPMorgan espera crescimento de aproximadamente 3,5% nas vendas das lojas comparáveis da divisão de vestuário, sustentado por um mix de produtos equilibrado e pela maior procura por roupas de inverno após a queda das temperaturas.

O banco também acredita que a estratégia de voltar ao foco no vestuário, combinada com reformas de lojas e expansão da área de vendas, continuará sustentando a melhora dos resultados. As ações negociam a cerca de 6,5 vezes o lucro estimado para 2026 e 5,5 vezes para 2027, entre os menores múltiplos do setor.

Riachuelo (RIAA3)

A Riachuelo também segue com recomendação overweight e preço-alvo de R$ 12,50. O JPMorgan vê potencial de valorização de aproximadamente 50%, sustentado pela expectativa de melhora operacional do negócio principal.

O banco projeta crescimento de cerca de 6% nas vendas de mercadorias no segundo trimestre e de 9% em 2026, impulsionado pelo maior foco em vestuário, melhor execução comercial e aumento da produção própria, que tende a elevar as margens brutas.

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Na avaliação dos analistas, a Riachuelo ainda está em uma fase mais inicial de recuperação operacional do que a C&A, o que amplia o potencial de crescimento das margens e da produtividade das lojas. Por outro lado, a maior exposição ao negócio financeiro, responsável por cerca de 30% do EBITDA, torna o investimento mais arriscado.

Lojas Renner (LREN3)

O JPMorgan manteve recomendação neutra para a Lojas Renner e elevou o preço-alvo de R$ 19 para R$ 20.

Segundo o banco, a companhia também deve apresentar um segundo trimestre melhor do que o esperado, com crescimento de aproximadamente 2% nas vendas nas mesmas lojas. A melhora é atribuída ao fortalecimento da cadeia de suprimentos, à maturação do novo centro de distribuição e à otimização da reposição de estoques, fatores que vêm contribuindo para a expansão das margens.

Apesar da evolução operacional e do valuation considerado atrativo, negociando a 8,7 vezes o lucro estimado para 2026, o JPMorgan prefere manter posição neutra por enxergar menor potencial de valorização em relação às concorrentes, além de um ritmo de recuperação mais lento que o observado em C&A e Riachuelo.