Minério de ferro recua 11,2% na bolsa de Dalian com temor de desaceleração
Minério de ferro recua 11,2% na bolsa de Dalian

O minério de ferro registrou forte queda nesta terça-feira (21) na bolsa de Dalian, na China, com o contrato futuro para setembro recuando 11,2%, cotado a 702 iuanes por tonelada. A desvalorização é a maior em um único dia desde março de 2020, refletindo o pessimismo do mercado com a desaceleração da economia chinesa e o aumento da oferta global da commodity.

Pressionado por dados fracos e expectativa de oferta

O movimento de baixa foi influenciado pela divulgação de dados econômicos abaixo do esperado na China, como a produção industrial e as vendas no varejo, que indicam uma recuperação mais lenta do que a prevista. Além disso, o mercado monitora o aumento da produção de minério de ferro por grandes mineradoras, como a Vale e a Rio Tinto, o que eleva a oferta e pressiona os preços.

Segundo analistas do banco ANZ, a combinação de demanda fraca e oferta robusta deve manter os preços sob pressão no curto prazo. "O cenário para o minério de ferro continua desafiador, com a China reduzindo a produção de aço para cumprir metas ambientais e a oferta global se expandindo", afirmou a instituição em relatório.

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Impacto no mercado brasileiro

A queda do minério de ferro na China impacta diretamente as exportações brasileiras, já que o país é o segundo maior produtor global da commodity, atrás apenas da Austrália. A Vale, maior mineradora do Brasil, viu suas ações recuarem 3,5% na B3, refletindo o movimento externo. Analistas estimam que cada queda de 10% no preço do minério de ferro reduz o lucro da empresa em cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano.

O governo brasileiro também monitora a situação, já que o minério de ferro é um dos principais itens da pauta exportadora do país. Em 2025, as exportações do produto somaram US$ 32 bilhões, representando cerca de 7% do total vendido ao exterior.

Perspectivas para o setor

Especialistas apontam que a tendência de queda pode se intensificar caso a China, que responde por mais de 70% do consumo global de minério de ferro, mantenha as restrições à produção de aço. O governo chinês tem imposto limites à produção siderúrgica para reduzir as emissões de carbono, o que diminui a demanda pela matéria-prima.

"O mercado está ajustando as expectativas para um cenário de menor crescimento na China, e o minério de ferro é o termômetro dessa percepção", disse o economista-chefe de uma consultoria internacional. "A commodity pode testar suportes importantes nas próximas semanas, dependendo dos estímulos que o governo chinês vier a adotar."

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