O mercado de tecnologia está passando por uma transformação profunda na definição do perfil dos profissionais considerados talentos. Mais do que nunca, as empresas buscam candidatos que combinem competências técnicas com habilidades comportamentais e visão estratégica de negócios. A conclusão é de um levantamento realizado pela Dino, plataforma de recrutamento especializada em tecnologia, que analisou mais de 10 mil vagas abertas no primeiro semestre de 2026.
Habilidades comportamentais ganham destaque
Segundo o estudo, 78% das empresas de tecnologia consideram as habilidades socioemocionais tão importantes quanto o conhecimento técnico na hora de contratar. Entre as competências mais valorizadas estão comunicação, trabalho em equipe, resiliência e capacidade de aprendizado contínuo. "O profissional de tecnologia precisa ser capaz de traduzir demandas de negócio em soluções técnicas, e isso exige uma comunicação clara e empatia", afirma Carlos Mendes, CEO da Dino.
Visão de negócios é diferencial competitivo
Outro ponto destacado pela pesquisa é a crescente demanda por profissionais que entendam o impacto do seu trabalho nos resultados da empresa. Cerca de 65% das vagas analisadas mencionam a necessidade de o candidato ter visão de negócios ou experiência em áreas como finanças, marketing ou operações. "Não basta mais saber programar; é preciso entender como a tecnologia gera valor para o negócio", complementa Mendes.
Mudança nos processos seletivos
Diante dessa nova realidade, as empresas estão reformulando seus processos seletivos. Dinâmicas de grupo, estudos de caso e entrevistas comportamentais estão se tornando tão comuns quanto testes técnicos. "Estamos vendo um movimento para avaliar o candidato de forma holística, considerando tanto o que ele sabe fazer quanto como ele se comporta em situações reais de trabalho", explica a consultora de RH Ana Paula Souza, que participou do levantamento.
Impacto na formação profissional
A mudança de perfil também impacta as instituições de ensino. Cursos de tecnologia estão incorporando disciplinas de gestão, comunicação e ética. "As universidades precisam formar profissionais completos, que saiam da faculdade prontos para lidar com desafios multidisciplinares", defende o professor de engenharia de software da USP, Ricardo Lopes. Segundo ele, a procura por cursos que mesclam tecnologia e negócios cresceu 40% nos últimos dois anos.
Remuneração e carreira
O levantamento da Dino também revela que os profissionais que combinam habilidades técnicas e comportamentais têm salários até 30% maiores do que aqueles que possuem apenas conhecimento técnico. Além disso, a taxa de promoção é 50% maior entre os profissionais com perfil híbrido. "O mercado está disposto a pagar mais por quem entrega resultados e se comunica bem", conclui Carlos Mendes.



