O Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, atingiu a marca de 11 milhões de clientes no segmento de seguros no Brasil, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior. A fintech, que já é uma das maiores plataformas de serviços financeiros do país, está reforçando sua aposta no setor securitário como parte de sua estratégia de diversificação de receitas.
Crescimento acelerado e novos produtos
De acordo com a empresa, o número de clientes de seguros saltou de 7,3 milhões em junho de 2025 para 11 milhões em junho de 2026. Esse crescimento foi impulsionado pela oferta de produtos como seguro de vida, seguro residencial e seguro para dispositivos móveis, que se tornaram populares entre os usuários da plataforma.
“O crescimento expressivo mostra que os brasileiros estão cada vez mais confiando em plataformas digitais para proteger seus bens e sua família”, afirmou o diretor de Seguros do Mercado Pago, André Chaves, em entrevista exclusiva ao Valor.
Parcerias e tecnologia como diferenciais
O Mercado Pago tem estabelecido parcerias com grandes seguradoras, como Porto Seguro e Chubb, para ampliar seu portfólio. Além disso, a fintech utiliza inteligência artificial e análise de dados para personalizar ofertas e agilizar a contratação, o que reduz custos operacionais e permite prêmios mais competitivos.
“A tecnologia nos permite oferecer seguros com preços até 30% mais baixos que o mercado tradicional, sem comprometer a cobertura”, destacou Chaves.
Impacto no mercado e concorrência
O avanço do Mercado Pago no setor de seguros acirra a concorrência com outros players digitais, como Nubank e PicPay, que também têm investido em produtos securitários. Segundo dados da Susep, a participação das fintechs no mercado de seguros brasileiro saltou de 5% em 2023 para 12% em 2025.
Especialistas apontam que a entrada de fintechs no setor tem pressionado as seguradoras tradicionais a se digitalizarem e a reverem suas estratégias de precificação. “O Mercado Pago está capitalizando sua base de mais de 80 milhões de usuários no Brasil para vender seguros de forma cruzada, algo que as seguradoras tradicionais têm dificuldade em fazer”, analisa Carlos Macedo, professor de Finanças da FGV.
Perspectivas futuras
A fintech planeja lançar novos produtos nos próximos meses, incluindo seguro auto e seguro viagem, além de expandir a oferta para pequenas e médias empresas. A meta é atingir 15 milhões de clientes em seguros até o final de 2026.
“O mercado de seguros no Brasil ainda tem enorme potencial de crescimento, com penetração de apenas 6% do PIB, contra 12% em países desenvolvidos. Queremos ser líderes nesse processo de inclusão securitária”, concluiu Chaves.



