O mercado livre de energia elétrica no Brasil entra em uma nova fase de expansão. Após décadas restrito a grandes consumidores industriais, o modelo começa a se abrir para um número muito maior de usuários. A partir de 2027, pequenas empresas e estabelecimentos atendidos em baixa tensão poderão escolher seu fornecedor de eletricidade. Em 2028, será a vez dos consumidores residenciais.
Mudança na dinâmica do setor elétrico
A abertura altera uma das principais características do setor elétrico brasileiro. No mercado regulado, o consumidor compra energia exclusivamente da distribuidora local, com tarifas definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No mercado livre, passa a negociar diretamente com comercializadoras, podendo escolher preços, prazos contratuais e até a origem da energia.
Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), cerca de 85 mil consumidores já participam do mercado livre. Eles representam aproximadamente 43% de toda a eletricidade consumida no País. Apenas em 2025, foram registradas 21,7 mil novas migrações para esse ambiente.
Expectativa de economia e concorrência
A expectativa do setor é de que a abertura amplie a concorrência entre fornecedores e acelere a oferta de novos produtos. Estimativas da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia apontam que a liberalização completa poderá gerar uma economia anual de até R$ 35 bilhões para consumidores residenciais e pequenos negócios. Além do preço, outro atrativo é a previsibilidade: contratos de longo prazo reduzem a exposição às variações tarifárias do mercado regulado.
Corrida por clientes
A expansão do mercado vem provocando uma corrida entre comercializadoras e grupos de energia para conquistar clientes antes da abertura total. Casos como o da EDP mostram a tração que o tema vem ganhando. A companhia, que atua em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, foi uma das pioneiras no mercado varejista do País e atualmente está entre as quatro maiores do segmento. Em 2025, a EDP comercializou 7,04 TWh de energia para mais de 800 clientes.
Agora em 2026, quando completa 30 anos de atuação no Brasil e 50 anos no mundo, a empresa busca ampliar sua atividade no mercado livre de energia, reforçando sua solidez e se posicionando não apenas como fornecedora, mas como parceira em soluções energéticas para diferentes perfis de clientes.
Diferenciais da EDP
“Estamos vivendo um momento de transformação no setor elétrico, com cada vez mais consumidores tendo a chance de escolher o seu fornecedor de energia”, afirma Tomás Baldaque, diretor de Soluções para Clientes da EDP na América do Sul. Segundo ele, a atuação da companhia em toda a cadeia do setor elétrico e sua experiência na comercialização varejista são diferenciais neste novo cenário. “Temos um plano robusto de investimentos no País, com foco em redes e em mercado livre, o que reforça a nossa solidez e a nossa aposta de longo prazo no Brasil. Isso nos dá previsibilidade e segurança para oferecer boas condições, bons produtos e soluções, e credibilidade no cumprimento de contratos”, ressalta Baldaque.
Expansão da carteira de clientes
A estratégia, que inclui reestruturação de equipes, implementação de ferramentas digitais, novos processos e modelos de atendimento, e novas soluções, vem sendo acompanhada pela conquista de clientes dos setores público e privado. Com o governo do Ceará, por exemplo, a EDP firmou contrato para fornecer energia a 144 órgãos do Estado até 2029. Já com o Sesc Bahia, a parceria prevê o fornecimento até 2030. Neste ano, a empresa também passou a atender a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o fornecimento de energia renovável por meio do mercado livre para o campus de Eusébio, no Ceará. O abastecimento começou em janeiro e segue até 2028, com uma redução prevista de cerca de 18% nos gastos com energia da instituição de saúde e pesquisa.
Para a coordenadora-geral de Infraestrutura dos Campi da Fiocruz, Ana Beatriz Alves Cuzzatti, a adesão ao mercado livre representa um avanço para a instituição. “Além da redução de custos, a contratação de energia proveniente de fontes renováveis fortalece o compromisso institucional com práticas ambientalmente responsáveis e está alinhada às diretrizes do Plano de Logística Sustentável em Infraestrutura da Cogic, que busca promover soluções inovadoras e sustentáveis para a infraestrutura da Fundação”, afirma.
O que muda com a abertura do mercado livre de energia
Quem poderá aderir?
Pequenas empresas poderão escolher o fornecedor de energia a partir do final de 2027. Para consumidores residenciais, a previsão é de abertura no final de 2028.
O que muda na prática?
O consumidor poderá negociar diretamente com uma comercializadora, avaliando a opção que melhor atenda às suas necessidades, considerando preço, credibilidade, prazo de contrato, produtos agregados e até a origem da energia.
A distribuidora deixa de existir?
Não. Ela continua responsável pela rede elétrica, manutenção e qualidade do fornecimento. O que muda é a forma de contratação da energia, e não a maneira como ela é distribuída.
Vale a pena?
Especialistas apontam potencial de economia e maior previsibilidade de custos por meio de contratos de longo prazo. Antes da migração, é importante comparar ofertas e verificar a experiência e a solidez da comercializadora.



