O mercado de artesanato brasileiro, que movimenta bilhões de reais por ano e representa cerca de 3% do PIB nacional, está passando por uma reconfiguração significativa após o encerramento das operações da Elo7. A plataforma, que durante muitos anos foi uma das principais vitrines para produtos artesanais no país, deixou de operar, forçando consumidores e artesãos a buscarem novos marketplaces especializados.
O impacto do fim da Elo7
A Elo7 era referência no setor, conectando milhares de artesãos a compradores em todo o Brasil. Com seu fechamento, uma lacuna foi aberta no mercado, que agora é disputada por concorrentes como Elo, Artesol e outras plataformas emergentes. Segundo especialistas, o segmento de artesanato online tem grande potencial de crescimento, mas exige adaptação dos vendedores às novas ferramentas e políticas de cada marketplace.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Artesanato (ABA), o setor emprega mais de 8 milhões de pessoas no país, entre artesãos profissionais e amadores. A venda online representa uma fatia crescente desse total, impulsionada pela pandemia e pela digitalização do consumo.
Novos players e oportunidades
Marketplaces como a Elo (antiga Submarino) e a Artesol têm se destacado ao oferecer condições atrativas para os artesãos, como taxas reduzidas e suporte especializado. Além disso, plataformas internacionais como Etsy também veem no Brasil um mercado promissor, embora enfrentem desafios logísticos e de pagamento.
“O fim da Elo7 foi um choque, mas também uma oportunidade para repensarmos o modelo de negócios”, afirma Maria Silva, artesã de São Paulo que migrou para a Artesol. “Estamos aprendendo a usar novas ferramentas e a nos adaptar às exigências de cada plataforma.”
Desafios e tendências
Apesar do otimismo, a transição não é simples. Muitos artesãos relatam dificuldades com a migração de catálogos, a diferença nas comissões e a necessidade de investir em marketing digital. Além disso, a concorrência com produtos industrializados e a informalidade do setor são barreiras a serem superadas.
Para o consumidor, a variedade de opções pode ser benéfica, mas exige atenção à qualidade e à procedência dos produtos. A tendência é que os marketplaces invistam em curadoria e certificação para garantir a autenticidade do artesanato brasileiro.
Com a reconfiguração do mercado, a expectativa é que novos nichos surjam, como o artesanato sustentável e o personalizado, atendendo a uma demanda cada vez mais consciente e exigente.



