Uma pesquisa da IQVIA, consultoria global de dados em saúde, aponta que mais da metade das canetinhas emagrecedoras consumidas no Brasil provêm do mercado informal. O levantamento, divulgado com exclusividade pelo blog de Lauro Jardim, revela que 52% desses medicamentos não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que representa um risco significativo à saúde dos consumidores.
O que são as canetinhas emagrecedoras?
As canetinhas emagrecedoras, como Ozempic e Wegovy, contêm semaglutida, um princípio ativo que regula o apetite e é aprovado para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. No entanto, a alta demanda e o preço elevado desses medicamentos incentivam a venda de versões falsificadas ou importadas sem controle sanitário.
Dados da pesquisa
De acordo com a IQVIA, o mercado brasileiro de canetinhas emagrecedoras movimentou cerca de R$ 2,5 bilhões em 2025, com 48% das vendas realizadas em canais formais (farmácias e hospitais credenciados) e 52% em canais informais, como sites não autorizados, redes sociais e vendedores ambulantes. A consultoria estima que mais de 1,2 milhão de unidades foram comercializadas fora do circuito regulado.
Riscos à saúde
O consumo de medicamentos sem procedência pode levar a sérios problemas de saúde. "Esses produtos podem conter substâncias inadequadas, dosagens erradas ou até mesmo nenhum princípio ativo, colocando em risco a vida dos pacientes", alerta o farmacêutico Carlos Alberto de Oliveira, da Associação Brasileira de Farmácias. A Anvisa já emitiu alertas sobre lotes falsificados de Ozempic, que circulam principalmente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.
Medidas de combate
A Anvisa intensificou a fiscalização e, em parceria com a Polícia Federal, realizou operações que resultaram na apreensão de mais de 50 mil unidades falsificadas em 2025. No entanto, a agência reconhece que o combate é desafiador, devido à venda facilitada pela internet. "Recomendamos que os consumidores adquiram esses medicamentos apenas em farmácias autorizadas, com receita médica", orienta a diretora-presidente da Anvisa, Maria Cecília de Souza.
Impacto econômico
O mercado informal também causa prejuízos econômicos. Estima-se que o governo deixe de arrecadar cerca de R$ 200 milhões em impostos anualmente. Além disso, a concorrência desleal prejudica as empresas farmacêuticas que seguem as regulamentações. A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, informou que investe em campanhas de conscientização e rastreamento de produtos.
Orientações para consumidores
Especialistas recomendam verificar o número de lote e a data de validade nos sites oficiais da Anvisa antes de usar qualquer medicamento. Em caso de suspeita de falsificação, a denúncia deve ser feita à vigilância sanitária local. A pesquisa da IQVIA serve como um alerta para a necessidade de maior controle e educação sobre o uso de medicamentos controlados.



