A Eni, gigante italiana de energia, anunciou nesta quarta-feira que seu lucro líquido ajustado mais que dobrou no segundo trimestre de 2026, atingindo 2,33 bilhões de euros, contra 1,02 bilhão de euros no mesmo período do ano anterior. O resultado superou as expectativas do mercado, que projetava lucro de cerca de 1,9 bilhão de euros, segundo consenso da Refinitiv.
Produção e preços impulsionam resultados
A empresa atribuiu o forte desempenho ao aumento de 8% na produção de hidrocarbonetos na comparação anual, para 1,72 milhão de barris de óleo equivalente por dia, e à valorização do petróleo Brent, que subiu 12% no período, para uma média de US$ 85 o barril. Além disso, a margem de refino melhorou significativamente, com o indicador de refino ajustado subindo para US$ 12 por barril, ante US$ 8 no segundo trimestre de 2025.
Lucro do primeiro semestre também cresce
No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido ajustado da Eni totalizou 4,1 bilhões de euros, alta de 85% sobre os 2,2 bilhões de euros registrados um ano antes. A receita semestral alcançou 68 bilhões de euros, crescimento de 15%.
“Os resultados refletem a execução disciplinada da nossa estratégia, com foco em projetos de alto retorno e eficiência operacional”, afirmou o CEO Claudio Descalzi, em comunicado. “Estamos confiantes em atingir nossas metas para o ano.”
Investimentos e dividendos
A Eni manteve a projeção de investimentos para 2026 entre 8,5 bilhões e 9 bilhões de euros. No segundo trimestre, os gastos de capital somaram 2,1 bilhões de euros. A empresa também confirmou o plano de recompra de ações de 500 milhões de euros e o pagamento de dividendo de 0,25 euro por ação no terceiro trimestre.
O fluxo de caixa operacional ajustado cresceu 28% no trimestre, para 3,8 bilhões de euros, suficiente para cobrir os investimentos e a remuneração aos acionistas.
Perspectivas para o setor
O setor de petróleo e gás tem se beneficiado da demanda global aquecida, especialmente na Ásia, e de restrições de oferta determinadas pela Opep+. A Eni, que tem operações na África, Oriente Médio e América do Norte, prevê que o Brent se mantenha na faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril até o fim do ano.
No entanto, a empresa alerta para riscos como a volatilidade cambial e as incertezas regulatórias na Europa. Apesar disso, a Eni revisou para cima sua meta de produção para 2026, de 1,7 milhão para 1,75 milhão de barris equivalentes por dia.



