A fabricante suíça de chocolates Lindt & Sprüngli está sendo processada nos Estados Unidos sob a acusação de envolvimento em trabalho infantil em suas cadeias de fornecimento de cacau na África. A ação, movida por um grupo de consumidores, alega que a empresa não cumpriu promessas de eliminar o trabalho infantil de sua produção.
Detalhes da ação judicial
A queixa foi apresentada em um tribunal federal na Califórnia, representando consumidores que compraram produtos Lindt. Eles acusam a empresa de publicidade enganosa, afirmando que a Lindt comercializa seus chocolates como éticos e sustentáveis, mas supostamente permite trabalho infantil em fazendas de cacau na Costa do Marfim e em Gana.
De acordo com a denúncia, a Lindt falhou em implementar sistemas de rastreamento eficazes para garantir que seu cacau não seja produzido com mão de obra infantil. A ação busca indenização não especificada e mudanças nas práticas da empresa.
Resposta da Lindt
A Lindt negou veementemente as alegações. Em comunicado, a empresa afirmou que "tem uma política de tolerância zero em relação ao trabalho infantil" e que investe em programas de certificação e monitoramento em suas cadeias de fornecimento. A Lindt também destacou que é signatária de iniciativas do setor para erradicar o trabalho infantil no cacau.
"Estamos comprometidos com a produção responsável de cacau e trabalhamos em estreita colaboração com nossos fornecedores para garantir condições justas e seguras", disse a empresa.
Contexto do trabalho infantil no cacau
Estima-se que cerca de 1,5 milhão de crianças trabalhem em plantações de cacau na África Ocidental, muitas delas envolvidas em atividades perigosas. O problema persiste apesar de décadas de promessas da indústria do chocolate para combatê-lo. Organizações de direitos humanos têm criticado a falta de progresso significativo.
Segundo a Tulane University, o número de crianças trabalhando no cacau na Costa do Marfim e em Gana aumentou 14% entre 2008 e 2019.
Implicações para a indústria
O processo contra a Lindt pode ter repercussões para todo o setor de chocolate, que enfrenta pressão crescente de consumidores e investidores por transparência e ética na cadeia de suprimentos. Empresas como Nestlé, Hershey e Mars também já foram alvo de ações semelhantes.
Especialistas legais apontam que, se a ação prosperar, pode estabelecer precedentes para responsabilizar empresas por práticas de fornecedores em países distantes.



