A agência espacial japonesa JAXA lançou neste sábado (10) um protótipo de foguete reutilizável, o RV-X1, em um teste que durou aproximadamente 7 minutos. O lançamento ocorreu no Centro Espacial de Tanegashima, no sul do Japão, e representa um avanço significativo na tentativa do país de competir com empresas como a SpaceX no mercado de lançamentos espaciais.
Detalhes do teste
O RV-X1 decolou às 9h30 (horário local) e atingiu uma altitude de cerca de 100 km, ultrapassando a Linha de Kármán, considerada o limite do espaço. Após o voo suborbital, o foguete retornou à Terra e pousou verticalmente em uma plataforma flutuante no Oceano Pacífico, a aproximadamente 200 km da costa. O pouso foi considerado bem-sucedido, com o veículo intacto.
O protótipo tem 18 metros de altura e 2,5 metros de diâmetro, sendo equipado com um motor de metano líquido e oxigênio líquido. Segundo a JAXA, o teste visava validar tecnologias de reentrada e pouso autônomo, essenciais para foguetes reutilizáveis.
Contexto e concorrência
O Japão busca reduzir custos e aumentar a frequência de lançamentos para competir com a SpaceX, que domina o mercado com seus foguetes Falcon 9 reutilizáveis. A JAXA planeja uma versão operacional do RV-X1, chamada de RV-X, capaz de colocar satélites de até 5 toneladas em órbita baixa da Terra. O primeiro lançamento comercial está previsto para 2028.
“Este teste é um marco para o programa espacial japonês. Estamos confiantes de que a reutilização é o caminho para reduzir custos e aumentar a competitividade”, afirmou o diretor da JAXA, Hiroshi Yamakawa, em comunicado.
Impacto no setor
O sucesso do RV-X1 coloca o Japão como um concorrente direto da SpaceX, da Blue Origin e de outras empresas que desenvolvem foguetes reutilizáveis. O mercado de lançamentos espaciais movimenta bilhões de dólares anualmente, e a capacidade de reutilizar foguetes pode reduzir os custos em até 70%.
Especialistas apontam que o Japão ainda precisa superar desafios técnicos e de escala, mas o teste demonstra que o país está no caminho certo. “O foguete reutilizável japonês é um passo importante para diversificar o mercado e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros”, disse o analista espacial Kazuto Suzuki, da Universidade de Tóquio.



