Itaú BBA vê Bradesco, Nubank e BTG como preferências em meio a divergências
Itaú BBA prefere Bradesco, Nubank e BTG no setor financeiro

O setor financeiro brasileiro negocia em níveis considerados atrativos, mas ainda divide opiniões entre investidores locais e estrangeiros. Segundo relatório do Itaú BBA assinado por Pedro Leduc e equipe, investidores locais mantêm exposição limitada ao peso do setor no mercado, concentrando-se em nomes de maior qualidade e segurança, com baixo apetite para riscos adicionais. Já os estrangeiros são mais seletivos, focando em fundamentos das empresas e receio de revisões negativas de lucros, com menos atenção a desdobramentos políticos.

Preferências do Itaú BBA

O Itaú BBA mantém preferência por Bradesco (BBDC4), Nubank (BDR: ROXO34) e BTG Pactual (BPAC11), mas ressalta que essa visão não é consensual, refletindo divergências sobre trajetória do crédito, juros e resultados das financeiras.

Bradesco (BBDC4): o maior debate

O Bradesco é apontado como o maior debate entre os grandes bancos, com a pergunta: “desta vez será diferente?”. Muitos investidores ainda são céticos quanto à tese de investimento. O banco negocia próximo de 1 vez o valor patrimonial (P/B) e 6 vezes o lucro (P/L), com crescimento esperado de cerca de 15% do lucro por ação e melhora do ROE, mas a tese depende de ausência de revisões negativas. A preocupação com o ciclo de crédito diminuiu parcialmente com dados de inflação mais moderados, mas segue como fator de atenção. O Itaú BBA tem estimativas de lucro 6% acima do mercado para 2026 e 4% para 2027, acreditando que a carteira de crédito está menos cíclica e o segmento de seguros (mais de 40% dos lucros) pode crescer em ritmo de dois dígitos. O banco reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22.

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Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11)

Banco do Brasil e Santander Brasil são vistos com maior consenso em relação a revisões negativas. O BB negocia próximo de 0,6 vez o valor patrimonial, e o Santander, cerca de 1 vez. O Itaú BBA avalia que ainda pode haver nova rodada de revisões negativas e manteve recomendação neutra para ambos, com preços-alvo de R$ 21 e R$ 32, respectivamente.

BTG e B3 dividem preferência

No mercado de capitais, a maioria dos investidores prefere o BTG Pactual (BPAC11) em cenários de incerteza, devido à resiliência dos resultados. No entanto, a escolha não é consensual, e o banco encontrou resistência recente, com alguns investidores reduzindo posições. O BTG negocia a cerca de 11 vezes o lucro estimado para 2026, acima da média histórica. Para investidores que apostam em queda dos juros, a B3 (B3SA3) é alternativa mais direta, negociando a aproximadamente 13 vezes o lucro, abaixo da média histórica de 16 vezes. O Itaú BBA mantém recomendação de compra para BTG e B3, com preços-alvo de R$ 63 e R$ 21, respectivamente.

XP (XPBR31)

Investidores otimistas veem potencial na XP, com avaliação próxima de 8 vezes o lucro e dividend yield de cerca de 10%. O banco reconhece possíveis melhorias de curto prazo, mas investidores cautelosos focam no cenário macroeconômico de médio prazo. O Itaú BBA manteve recomendação neutra e preço-alvo de US$ 19.

Bancos digitais: Nubank e Inter

O Nubank, após queda de 19% no ano, divide opiniões: se a queda representa oportunidade em empresa vencedora no longo prazo ou mudança estrutural. Fundos globais reduziram exposição, enquanto investidores de longo prazo aproveitaram. O Itaú BBA está otimista, considerando um pouso suave do ciclo de crédito, mas reconhece expectativas elevadas para 2027. Mantém recomendação de compra e preço-alvo de US$ 18. Já o Inter (INBR32) tem pouco interesse, com múltiplo próximo de 1 vez o valor patrimonial. A recomendação é neutra, com preço-alvo de US$ 8, mas o banco considera a ação um nome para acompanhamento devido a vantagens competitivas.

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