As ações da SpaceX começaram a ser negociadas em bolsa e consolidaram Elon Musk como o primeiro trilionário da história. Ainda assim, o empresário, hoje a pessoa mais rica do mundo, passa boa parte do tempo em uma casa simples perto da sede da companhia, no sul do Texas.
A empresa de foguetes e satélites levantou US$ 75 bilhões na quinta-feira, no maior IPO já registrado, após vender mais de 555 milhões de ações a US$ 135 cada. A operação avaliou a SpaceX em US$ 1,77 trilhão. Na sexta-feira, os papéis subiram 20%, para US$ 162, levando Musk ao patamar de trilionário ao considerar sua fatia na SpaceX, suas opções e também sua participação na Tesla.
Mesmo com a fortuna recorde, a carteira imobiliária de Musk é relativamente modesta. Depois de se mudar para o Texas em 2020 e vender a maior parte de suas casas na Califórnia, ele comprou imóveis vizinhos em uma área nobre nos arredores de Austin por cerca de US$ 35 milhões. Mas o próprio Musk revelou, em 2021, que sua principal residência é uma casa de US$ 50 mil em Boca Chica, no Texas, alugada da própria SpaceX, cuja sede fica na vizinha Starbase, perto de Brownsville.
Segundo o site Chron.com, a residência é uma casa pré-fabricada de cerca de 37 metros quadrados, construída pela startup Boxabl, com sala, quarto, cozinha e banheiro com banheira e chuveiro. Em contraste, empresas ligadas a Musk possuem pelo menos três casas grandes em West Lake Hills, subúrbio de alto padrão de Austin, cada uma com entre 550 e 830 metros quadrados e piscina, segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal.
Em 2023, o biógrafo Walter Isaacson publicou uma imagem do interior do imóvel e descreveu a casa como um espaço espartano de dois quartos, onde Musk costumava sentar em uma mesa de madeira para fazer ligações. Já em março deste ano, a mãe do empresário, Maye Musk, contou mais sobre o estilo de vida pouco glamouroso do filho. “Não tem comida na geladeira. A garagem onde dormi fica à direita. No chuveiro só havia uma toalha, então deixei para o Elon”, escreveu em uma postagem no X.
Conhecido por ser obcecado por trabalho, Musk costuma morar perto de suas empresas, sobretudo em momentos decisivos. Ele já dormiu na fábrica da Tesla, na Califórnia, durante o período em que a montadora enfrentava dificuldades para ajustar a produção do Model 3.
A SpaceX também vive uma fase crucial, com o desenvolvimento da próxima geração do foguete Starship, peça central para o futuro da companhia. A versão V3, totalmente reutilizável, será maior do que as anteriores e poderá transportar até 100 toneladas, bem acima das 35 toneladas da versão V2. O novo Starship deve ter papel relevante no retorno de astronautas à Lua nos próximos anos e também nos planos de Musk de instalar centros de dados de inteligência artificial no espaço. O primeiro voo de teste do modelo, no mês passado, foi considerado majoritariamente bem-sucedido.
A fortuna de Musk ainda pode crescer mais caso a SpaceX cumpra metas extremamente ambiciosas. Ele poderá receber até 200 milhões de ações adicionais de classe B se a companhia atingir um valor de mercado de US$ 7,5 trilhões e construir uma colônia em Marte com 1 milhão de habitantes. Outro gatilho prevê a entrega de mais 60 milhões de ações caso a avaliação chegue a US$ 6,6 trilhões e a SpaceX implante uma rede de centros de dados espaciais com capacidade computacional de 100 terawatts.
Musk fundou a SpaceX em 2002 para desafiar o domínio de Boeing e Lockheed Martin no mercado de lançamentos espaciais. Mesmo sendo relativamente jovem, a empresa rapidamente tomou a dianteira do setor. Ao desenvolver foguetes reutilizáveis capazes de pousar de forma autônoma, a companhia reduziu drasticamente os custos e acelerou o ritmo de lançamentos, tornando a órbita baixa da Terra mais acessível para diferentes clientes.
No ano passado, a SpaceX respondeu por mais de 50% dos lançamentos de foguetes no mundo e já mantém cerca de 10 mil satélites Starlink em órbita, fornecendo internet via satélite para empresas e forças armadas. A companhia é uma das principais parceiras da Nasa e do Pentágono, que também vê a empresa como potencial peça no desenvolvimento do escudo antimísseis “Golden Dome”, defendido pelo presidente Donald Trump.
A receita da SpaceX cresceu mais de 30% no ano passado, para US$ 18,7 bilhões, mas o resultado final virou prejuízo de US$ 4,9 bilhões, à medida que as perdas da xAI avançaram para US$ 6,4 bilhões. Já a Starlink mais do que dobrou seu lucro, para US$ 4,4 bilhões.
Antes mesmo de chegar à bolsa, a avaliação da SpaceX já vinha disparando no mercado privado. Em dezembro, a empresa foi avaliada em US$ 800 bilhões após a venda de ações por insiders. Em abril, negociações secundárias no mercado privado apontavam valor de US$ 1,54 trilhão. Agora, esse número chegou a US$ 1,7 trilhão.



