A inflação medida pela cesta básica de compras registrou uma forte desaceleração em junho, atingindo 3,2% nos últimos 12 meses, a menor taxa desde maio de 2020. O índice, calculado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em parceria com a Fipe, mostra que o consumidor está pagando menos por itens essenciais como arroz, feijão, carne e produtos de limpeza.
Queda nos preços dos alimentos puxa índice para baixo
Os alimentos foram os principais responsáveis pela desaceleração. O preço do arroz caiu 8,5% no mês, enquanto o feijão registrou recuo de 6,2%. A carne bovina, que vinha pressionando o orçamento das famílias, apresentou queda de 4,1% em junho. Segundo a Abras, a safra recorde de grãos e a normalização das cadeias de suprimentos contribuíram para a redução dos custos.
“A combinação de uma colheita abundante e a desaceleração da demanda global ajudou a derrubar os preços dos alimentos. O consumidor está sentindo essa diferença no caixa do supermercado”, afirmou João Galassi, presidente da Abras.
Itens de higiene e limpeza também caem
Além dos alimentos, os produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica também registraram queda. O sabão em pó teve redução de 3,5%, e o papel higiênico, de 2,8%. A Abras atribui a diminuição ao aumento da concorrência e à redução dos custos de matérias-primas, como resinas e plásticos.
“A indústria vem repassando aos consumidores as quedas nos custos de produção. Isso é um alívio para as famílias, que vinham sofrendo com a inflação alta nos últimos anos”, completou Galassi.
Impacto no orçamento familiar
Com a redução dos preços, a cesta básica nacional passou a custar, em média, R$ 1.200,00, valor 2,1% menor que o registrado em maio. A região Norte ainda apresenta os maiores preços, enquanto o Sul registra as maiores quedas. Especialistas apontam que a tendência de desaceleração deve se manter nos próximos meses, caso não haja choques climáticos ou aumentos nos custos de energia.
“A inflação mais baixa na cesta básica é um alívio para as famílias de baixa renda, que destinam maior parte do orçamento para alimentação. No entanto, é preciso monitorar os preços dos combustíveis e da energia, que podem impactar novamente os custos de produção e logística”, alertou a economista Ana Paula dos Santos, da Fipe.
Perspectivas para o segundo semestre
A Abras projeta que a inflação da cesta básica continue em trajetória de queda, podendo encerrar o ano em torno de 4%. A expectativa é que a safra de verão e a estabilidade cambial contribuam para manter os preços sob controle. Contudo, a entidade ressalta que eventos climáticos extremos, como secas ou geadas, podem interromper essa tendência.



