As principais incorporadoras do Brasil reportaram resultados abaixo do esperado no segundo trimestre de 2026, com queda nas vendas e margens pressionadas, segundo dados setoriais. De acordo com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), os lançamentos caíram 15% em comparação ao mesmo período de 2025, enquanto as vendas líquidas recuaram 12%.
Desempenho financeiro fraco
Empresas como MRV, Cyrela e Gafisa divulgaram lucros líquidos menores que as projeções de analistas. A MRV, maior construtora do país, registrou lucro líquido de R$ 120 milhões, 18% abaixo da mediana das estimativas. A Cyrela, por sua vez, reportou lucro de R$ 95 milhões, queda de 22% ano a ano. Segundo o analista da XP Investimentos, Pedro Galdi, "os incorporadores foram penalizados pela alta dos juros e pela inflação dos materiais de construção, que comprimiram as margens".
Setor imobiliário enfrenta desafios
O cenário macroeconômico desfavorável impactou o poder de compra das famílias. A taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, encareceu o crédito imobiliário, reduzindo a demanda. Dados do Banco Central mostram que as contratações de financiamento imobiliário com recursos da poupança caíram 8% no trimestre. "As incorporadoras terão que ajustar seus projetos a um novo patamar de custos e demanda mais fraca", afirmou o presidente da Abrainc, Luiz França. A expectativa para o segundo semestre é de recuperação lenta.
Impacto nos estoques e novos projetos
Com a queda das vendas, os estoques de imóveis prontos aumentaram 20% no trimestre, pressionando os preços. Algumas empresas anunciaram redução no ritmo de lançamentos. A Cyrela informou que adiará o lançamento de três empreendimentos previstos para o terceiro trimestre. "Preferimos ajustar a oferta ao novo ritmo de vendas para evitar excesso de inventário", disse o CFO da companhia, Marcelo Zamboni. No entanto, nem todos os segmentos foram afetados igualmente: o mercado de alto padrão manteve desempenho estável, enquanto o segmento econômico sofreu mais com a restrição de crédito.
Perspectivas e reação do mercado
As ações das incorporadoras caíram em média 5% após a divulgação dos balanços. Para o analista do Itaú BBA, João Pedro Soares, "o segundo trimestre foi um ponto baixo do ciclo, mas a médio prazo a demanda represada deve sustentar uma retomada". Por outro lado, o mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego em 7,2%, pode ajudar na recuperação da renda. O governo federal anunciou novas linhas de crédito do programa Minha Casa Minha Vida, que podem impulsionar o setor a partir de 2027.



