O Google continua soberano no mercado de buscas online, mesmo com a ascensão de ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT e Perplexity. Um estudo recente da consultoria StatCounter, divulgado nesta terça-feira (14), revela que o mecanismo de busca do Google detém 90,2% de participação global em julho de 2026, praticamente estável em relação ao ano anterior.
Dominância inabalada
A pesquisa analisou dados de tráfego de mais de 1,5 milhão de sites em todo o mundo. Segundo a StatCounter, a participação do Google caiu apenas 0,3 ponto percentual desde julho de 2025, quando era de 90,5%. O Bing, da Microsoft, aparece em segundo lugar com 3,4%, seguido pelo Yahoo! com 1,2% e pelo Baidu com 0,9%.
“Apesar do hype em torno da IA generativa, os usuários ainda recorrem ao Google para a maioria de suas consultas diárias”, afirma Sarah Johnson, analista sênior da StatCounter. “A confiança e a familiaridade com a plataforma são fatores cruciais.”
IA complementar, não substituta
Ferramentas como ChatGPT e Perplexity têm ganhado popularidade, mas ainda não representam uma ameaça significativa ao domínio do Google. O estudo indica que essas plataformas respondem por menos de 2% do volume total de buscas globais. “A IA é mais usada para tarefas específicas, como resumir textos ou gerar ideias, enquanto o Google continua sendo a porta de entrada para a web”, explica Johnson.
O Google, por sua vez, tem integrado recursos de IA em seus próprios produtos, como o Search Generative Experience (SGE), que oferece respostas sintetizadas no topo dos resultados. A empresa afirma que o SGE já está disponível para mais de 1 bilhão de usuários e tem melhorado a experiência de busca.
Impacto no mercado publicitário
A manutenção da liderança do Google é crucial para seu modelo de negócios, baseado em publicidade. Em 2025, a empresa gerou US$ 237 bilhões em receita de anúncios, a maior parte vinda de buscas. Com a IA não canibalizando esse mercado, investidores mantêm confiança na Alphabet, controladora do Google, cujas ações subiram 12% no último ano.
“O Google tem um ecossistema muito forte, com Gmail, YouTube e Maps, que reforçam o hábito de uso”, diz Michael Chen, analista da Morgan Stanley. “A IA é uma ferramenta complementar, não um substituto imediato.”
Desafios futuros
Apesar da estabilidade atual, especialistas alertam que a concorrência pode se intensificar. A Microsoft investiu bilhões no Bing com integração ao ChatGPT, e startups como a Perplexity buscam nichos específicos. No entanto, a barreira de entrada é alta: o Google processa cerca de 8,5 bilhões de buscas por dia, contra 500 milhões do Bing.
“Mudar o comportamento do usuário é extremamente difícil”, conclui Johnson. “O Google construiu uma confiança de décadas. Levará muito tempo para que a IA abale essa posição.”



