O Grupo Estado anunciou nesta quarta-feira, 22 de novembro, sua política de uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) pelas redações. O lançamento é um dos primeiros do tipo entre veículos brasileiros e segue uma tendência global, já que ao longo do ano jornais como Associated Press, Reuters, The Telegraph e Wired publicaram documentos semelhantes.
Diretrizes para uso responsável
A política estabelece regras e permissões para a produção de conteúdo editorial com IA generativa, como ChatGPT e Bard. O documento reforça a necessidade de supervisão e revisão humana em todas as etapas. "Nossa política de uso das inteligências artificiais tem a qualidade de trazer, na dose certa, o incentivo total à experimentação com essas novas tecnologias e a garantia de que a responsabilidade final pelas produções jornalísticas será sempre de uma pessoa, um profissional de carne e osso", afirmou Eurípedes Alcântara, diretor de Jornalismo do Grupo Estado.
Criação do Comitê de IA
A empresa também formalizou a criação do Comitê de Inteligência Artificial do Grupo Estado, que analisará projetos editoriais e será composto por representantes dos departamentos de Tecnologia, Redação, Produto, Jurídico e Auditoria. "Um dos grandes valores do Estadão é a proteção contra desinformação, cuja percepção de perigo cresceu com a disseminação de instrumentos de IA. É essencial demonstrar de maneira muito nítida para a audiência como esses novos recursos serão usados no jornal", disse André Furlanetto, diretor de Estratégias Digitais do Estadão.
Proteção de dados e transparência
As regras determinam que dados empresariais, segredos de negócio, bases proprietárias e furos jornalísticos não sejam inseridos em ferramentas de IA. A governança de dados é uma das maiores preocupações globais desde o avanço das IAs generativas, com casos de vazamento já registrados. "É importante garantir que nossos jornalistas façam uso responsável de ferramentas que estão transformando veículos de comunicação no mundo inteiro", afirmou David Friedlander, diretor de Governança e Qualidade Editorial do Estadão.
Diretrizes específicas para criação de conteúdo
A política permite o uso de IA para criação de conteúdo com supervisão humana, mas em casos homologados pelo Comitê, conteúdos podem ser publicados automaticamente. Em todos os casos, deve haver aviso ao leitor: "Este conteúdo foi produzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial" ou, para conteúdos sem revisão, "Este conteúdo foi gerado e publicado automaticamente com o uso de Inteligência Artificial".
Usos permitidos e proibidos
Ferramentas de IA podem ser usadas para edição de textos, transcrição de áudio (desde que o responsável domine o idioma), tradução, elaboração de títulos e chamadas, aprimoramento de textos em inglês e extração de dados públicos. Não é recomendado usar IA como ferramenta de busca ou para elaborar perguntas de entrevistas, devido a vieses algorítmicos.
Criação de conteúdo audiovisual
Para imagens e vídeos, a IA generativa é permitida em conteúdos opinativos, não factuais (soft news) e publicitários, mas deve ser evitada em hard news, exceto quando não houver imagens reais disponíveis. As criações devem ser identificadas com a legenda "Criado com IA/[nome da ferramenta]", e é proibido fazer referência a artistas, personagens protegidos, obras ou marcas registradas, salvo em charges satíricas com aprovação da diretoria.
Atribuições do Comitê de IA
O Comitê será responsável por avaliar ferramentas, atualizar diretrizes, homologar processos de publicação automática, treinar colaboradores, gerenciar riscos e decidir casos excepcionais. Reunir-se-á mensalmente e poderá ser contatado pelo e-mail comite.ia@estadao.com. A política será revisada anualmente.



