Campanha de Flávio apela a Ciro Nogueira por aliança presidencial
Campanha de Flávio apela a Ciro Nogueira por aliança

A campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda busca reverter a decisão da federação PP-União Brasil de manter-se independente na disputa presidencial. O núcleo duro do grupo aposta na possibilidade de aliança com o Republicanos, que também caminha para a neutralidade. Com o PP, uma das estratégias cogitadas é apelar para a "lealdade incondicional" declarada pelo senador Ciro Nogueira a Jair Bolsonaro.

Estratégia de sensibilização

Emissários da campanha de Flávio querem sensibilizar Ciro de que a prisão do ex-presidente seria injusta e só poderia ser revertida com a eleição de Flávio. Para essa ofensiva, a campanha conta com o apoio da deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), mulher e católica, cotada como uma das possíveis vices de Flávio. Marquetto é bolsonarista e tem defendido uma aliança com o PL.

Desafios e mágoas

O desafio, no entanto, não será fácil. Aliados de Ciro Nogueira apontam que é difícil demovê-lo da ideia da independência por algumas razões. Primeiro, Ciro estaria magoado com a falta de defesa de Flávio Bolsonaro após a Operação Compliance Zero. Essa investigação da Polícia Federal apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção relacionadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. O presidente do PP foi alvo de busca e apreensão por suposto envolvimento na trama e queixa-se da ausência de manifestações públicas por parte de Flávio. Ao contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que defendeu o senador Jaques Wagner, também alvo da PF por supostas relações com o Master.

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Pragmatismo político

Segundo, pragmaticamente, o PP avalia que as disputas internas dentro da família Bolsonaro prejudicam não apenas o PL como quem estiver com eles. O partido opta por guardar seu fundo eleitoral para as campanhas proporcionais, nas quais é forte. O PP quer aumentar a bancada e, com a independência, fortalecer palanques regionais em estados onde Lula é mais forte.

Gestos a Lula

O terceiro motivo é que o presidente do PP avalia estar fazendo um gesto a Lula ao optar pela neutralidade. A federação PP-União tem o maior tempo de rádio e TV e, ao não apoiar nenhum candidato, a nova divisão favorece o PT, que ficará com mais tempo proporcional de programa eleitoral. Como a política vive de gestos, Ciro espera — ainda que não tenha apoio — uma certa neutralidade na disputa ao Senado pelo Piauí. O estado é governado pelo PT e Rafael Fonteles é candidato à reeleição. Além disso, num eventual novo governo Lula, o partido deseja manter espaços nos ministérios. O PP tinha o controle do Ministério do Esporte, sob o comando de André Fufuca (PP-MA).

Direito de veto

Mesmo que o União Brasil não concorde com a decisão de Ciro Nogueira, uma cláusula na ata de criação da federação PP-União dá aos presidentes de ambos os partidos o direito de veto. Mas aliados afirmam que Antônio Rueda parece não discordar da avaliação do seu par.

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