GM eleva projeção de lucro para 2026 em US$ 500 milhões
A General Motors (GM), controladora das marcas Chevrolet e Cadillac no Brasil, anunciou nesta terça-feira (21) um aumento de US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões) em sua projeção de lucro para 2026. A nova estimativa passa a ser de uma faixa entre US$ 14 bilhões (R$ 71,12 bilhões) e US$ 16 bilhões (R$ 81,28 bilhões). Esta é a segunda vez neste ano que a montadora eleva a previsão, segundo informações da agência Reuters.
O principal fator apontado pela GM é a manutenção de preços elevados nos Estados Unidos para picapes e SUVs de maior valor, que são os veículos mais lucrativos da empresa. O preço médio de venda de um veículo da GM nos EUA ficou em cerca de US$ 52 mil (R$ 264.160) no segundo trimestre, ligeiramente acima do registrado um ano antes.
Resultados do segundo trimestre superam expectativas
O lucro operacional da companhia no segundo trimestre cresceu 30% em relação ao mesmo período do ano passado, superando com folga as estimativas dos analistas. O lucro antes de juros e impostos (Ebit) subiu para US$ 3,9 bilhões (R$ 19,81 bilhões), ante cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15,24 bilhões) um ano antes. Em base ajustada, o lucro foi de US$ 3,57 por ação (R$ 18,14), acima da expectativa de US$ 3,20 por ação (R$ 16,26), conforme dados da LSEG.
O diretor financeiro da GM, Paul Jacobson, afirmou à CNBC: "Conseguimos superar parte dessa incerteza", acrescentando que os clientes da empresa "têm demonstrado muita resiliência". As ações da GM avançavam cerca de 4% nas negociações da manhã desta terça-feira.
Confiança em 2027 e novos negócios
Executivos da GM demonstraram confiança de que o ritmo de crescimento poderá continuar em 2027, com expectativa de aumento da receita, do lucro operacional e da geração de caixa. Um dos motores desse crescimento é o negócio de equipamentos de defesa, que deve gerar quase US$ 700 milhões (R$ 3,56 bilhões) em receita neste ano e crescer, em média, 30% ao longo dos próximos anos.
Em relatório a investidores, o analista Chris McNally, da Evercore ISI, afirmou que a GM tem apresentado uma execução consistente, mesmo enquanto algumas concorrentes globais enfrentam dificuldades.
Repatriação da produção e custos adicionais
A demanda aquecida dos consumidores americanos ajudou a empresa a compensar as pressões provocadas pelo aumento dos custos de matérias-primas e das despesas relacionadas ao comércio exterior, incluindo os gastos adicionais com a transferência de parte da produção de veículos para os Estados Unidos para evitar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
A GM começará a produzir o Chevrolet Equinox e o Chevrolet Blazer nos Estados Unidos a partir de 2027. Atualmente, esses SUVs são fabricados no México. A montadora também está transferindo parte da produção de picapes para uma fábrica no estado de Michigan. Segundo a empresa, a transferência da produção do exterior para os EUA, somada ao aumento dos gastos com software, gerou custos adicionais entre US$ 1 bilhão (R$ 5,08 bilhões) e US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões).
Mais vendas de veículos a combustão impulsionam lucros
A montadora foi beneficiada pelo aumento das vendas de veículos movidos a combustão e por uma forte queda nas vendas de veículos elétricos, segmento que historicamente gera prejuízo. A GM afirmou que as perdas com veículos elétricos deverão cair entre US$ 1 bilhão (R$ 5,08 bilhões) e US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões) neste ano.
Desde o segundo trimestre de 2025, a empresa registrou US$ 10,9 bilhões (R$ 55,37 bilhões) em despesas relacionadas aos veículos elétricos, incluindo US$ 2,3 bilhões (R$ 11,68 bilhões) neste trimestre. Jacobson afirmou que a montadora concluiu as despesas em caixa relacionadas à redução de investimentos em veículos elétricos.
As medidas adotadas pelo governo Trump no ano passado para flexibilizar as regras de eficiência energética e emissões, permitindo que as empresas comercializem mais carros com motores a combustão, devem beneficiar o resultado financeiro da GM entre US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões) e US$ 750 milhões (R$ 3,81 bilhões) neste ano.
Impacto de tarifas e custos
A maior montadora dos EUA em volume de vendas afirmou que seus resultados continuarão pressionados pelas tarifas e pelo aumento dos custos da cadeia de suprimentos. A GM manteve a previsão de que as tarifas terão um impacto negativo entre US$ 2,5 bilhões (R$ 12,70 bilhões) e US$ 3,5 bilhões (R$ 17,78 bilhões) em seus resultados.
A empresa também afirmou que a inflação dos custos de matérias-primas, semicondutores e logística deverá reduzir seus lucros entre US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões) e US$ 2 bilhões (R$ 10,16 bilhões) neste ano.
Margens e desempenho regional
Na América do Norte, a margem de lucro aumentou para 8,6%, ante 6,1% no mesmo período do ano anterior, apesar da queda de 4% nas vendas trimestrais. Na China, onde a GM passa por reestruturação, a empresa registrou ganho de equivalência patrimonial de US$ 83 milhões (R$ 421,64 milhões), acima dos US$ 71 milhões (R$ 360,68 milhões) um ano antes. Já os negócios internacionais, excluindo a China, registraram queda de 7% no lucro operacional, para US$ 190 milhões (R$ 965,20 milhões).



