A Gerdau anunciou nesta quarta-feira a compra da participação de 30% que a Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) detinha na DFesa, empresa de geração e comercialização de energia. Com a transação, avaliada em R$ 1,2 bilhão, a siderúrgica passa a deter 100% do capital da DFesa.
Detalhes da transação
O acordo prevê o pagamento à vista, com recursos próprios da Gerdau. A conclusão da operação está sujeita à aprovação dos órgãos reguladores, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A DFesa possui capacidade instalada de 1.200 MW, com ativos em hidrelétricas, parques eólicos e solares, além de comercialização no mercado livre de energia.
Segundo comunicado ao mercado, a aquisição faz parte da estratégia da Gerdau de verticalização energética, garantindo suprimento competitivo para suas operações siderúrgicas. A empresa já era acionista majoritária da DFesa desde 2018, quando adquiriu 70% do negócio.
Impacto para a Gerdau
Com a compra, a Gerdau amplia seu portfólio de energia renovável e reduz a exposição à volatilidade dos preços no mercado spot. A DFesa tem contratos de longo prazo com consumidores industriais e comercializadoras, o que proporciona receitas estáveis. A expectativa é que a operação gere sinergias operacionais e financeiras, com economia estimada em R$ 150 milhões anuais em custos com energia.
Para a Celesc, a venda da participação na DFesa está alinhada com o plano de redução de endividamento e foco em seu core business de distribuição. A empresa catarinense vinha sendo pressionada por investidores a desinvestir em ativos não estratégicos.
Reação do mercado
As ações da Gerdau (GGBR4) fecharam em alta de 2,3% na B3, enquanto os papéis da Celesc (CLSC4) subiram 1,8%. Analistas do Credit Suisse classificaram o negócio como positivo para ambas as partes, destacando o preço justo pago pela Gerdau e o alívio no balanço da Celesc.
O presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou em nota: “A aquisição total da DFesa reforça nosso compromisso com a autossuficiência energética e a sustentabilidade. A empresa tem um portfólio diversificado de fontes renováveis, alinhado com nossa meta de reduzir emissões de carbono.”
Contexto do setor elétrico
O movimento da Gerdau ocorre em um momento de consolidação no setor elétrico brasileiro, com grandes grupos industriais buscando segurança energética diante da alta dos preços e das incertezas hidrológicas. A DFesa, que teve receita líquida de R$ 2,5 bilhões em 2025, é uma das maiores geradoras privadas do país.
A conclusão da compra deve ocorrer até o final do terceiro trimestre de 2026, após as aprovações regulatórias. A Gerdau não descarta novas aquisições no setor de energia.



