Os fundos de private equity acumulam um recorde de 32 mil empresas para vender, avaliadas em US$ 3,8 trilhões, segundo estudo global da consultoria Bain & Company. O volume recorde reflete a dificuldade em vender ativos e captar novos investimentos, adiando a esperada recuperação do setor para 2026.
Recuperação adiada por incertezas globais
Em 2025, a recuperação dos negócios foi postergada devido às incertezas geradas pelas tarifas comerciais de Donald Trump. Esperava-se que viesse em 2026, mas não ocorreu por causa da guerra do Irã e seus desdobramentos. “Chame isso de dinâmica ‘Feitiço do Tempo’. Recuperação adiada, novamente”, comenta o sócio da Bain, Hugh MacArthur, em alusão ao filme sobre o dia da marmota.
Segundo trimestre de 2026 piora cenário
No segundo trimestre de 2026, os negócios dos fundos somaram US$ 149 bilhões, queda de 23% ante o primeiro trimestre e recuo de 12% em 12 meses. Uma nova onda de incertezas afetou negócios e valores das empresas, segundo MacArthur em webinar. A visão dos participantes é de um segundo semestre ainda mais difícil, pois as incertezas não devem se dissipar tão cedo.
Período desafiador para investidores
“Claramente é um período desafiador para ser um investidor”, disse a sócia da Bain, Karen Harris. Ela citou tendências como mais fricções entre países na “pós-globalização” e a disparada da volatilidade nos mercados, com choques econômicos cada vez mais rápidos e imprevisíveis, sejam geopolíticos, como o Irã, ou específicos, como os da inteligência artificial. “Estamos enfrentando eventos exógenos que estão dificultando a habilidade de entendermos os investimentos. É um mundo onde as regras estão mudando.”
Captação de novos recursos em queda
Sem conseguir vender empresas que estão em suas carteiras há cerca de sete anos, e com novos negócios caindo, a captação de novos recursos pelos fundos deve somar US$ 1,3 trilhão em 2026, o menor patamar desde 2018.



