O número de pedidos de falência no Brasil cresceu 15% no segundo trimestre de 2026 em relação ao primeiro trimestre, de acordo com dados divulgados pela Serasa Experian nesta quarta-feira. Foram registrados 1.234 pedidos entre abril e junho, contra 1.073 nos três primeiros meses do ano.
Setores mais afetados
O setor de serviços liderou os pedidos, com 45% do total, seguido pelo comércio (30%) e indústria (20%). As micro e pequenas empresas representaram 70% dos requerimentos, evidenciando a vulnerabilidade dos negócios de menor porte.
Segundo o economista-chefe da Serasa Experian, Luís Rabi, o aumento reflete a combinação de juros elevados, inflação persistente e desaceleração da economia. "As empresas estão com dificuldade de honrar seus compromissos financeiros, especialmente após o fim das medidas de auxílio governamental", afirmou Rabi.
Recuperação judicial também sobe
Os pedidos de recuperação judicial, mecanismo que permite a renegociação de dívidas, também cresceram. Foram 567 solicitações no segundo trimestre, alta de 12% ante o trimestre anterior. A recuperação judicial é vista como uma alternativa para evitar a falência, mas requer um plano viável de reestruturação.
O advogado especialista em direito empresarial, Carlos Mendes, ressalta que muitas empresas optam pela recuperação judicial, mas o processo é complexo. "Nem todas conseguem se reerguer; a taxa de sucesso é de cerca de 30%", explicou.
Perspectivas
A Serasa projeta que o número de falências continue elevado nos próximos meses, caso o cenário macroeconômico não melhore. A expectativa é de que o PIB brasileiro cresça apenas 0,5% em 2026, com a taxa Selic mantida em 13,75% ao ano.
O governo federal anunciou um pacote de crédito para pequenas empresas, mas especialistas avaliam que as medidas são insuficientes. "O crédito mais barato é fundamental, mas a burocracia ainda é um entrave", ponderou Rabi.



