O número de pedidos de falência no Brasil cresceu 15% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 1.234 registros, segundo dados da Serasa Experian divulgados nesta terça-feira.
Setores mais afetados
O setor de comércio liderou os pedidos, com 456 casos, seguido por serviços (378) e indústria (250). Juntos, esses três segmentos representam 87% do total. A recuperação judicial também registrou alta: 789 pedidos, aumento de 12% ante o segundo trimestre de 2025.
“Os números refletem um ambiente de negócios ainda desafiador, com juros elevados e baixo consumo das famílias”, afirma Luiz Rabi, economista da Serasa Experian. “As empresas enfrentam dificuldades para honrar compromissos financeiros, especialmente as de menor porte.”
Comparação regional
Por região, São Paulo concentrou 35% dos pedidos de falência (432), seguido por Rio de Janeiro (198) e Minas Gerais (145). O Sudeste responde por 62% do total nacional. No Nordeste, a Bahia lidera com 78 casos.
A Serasa Experian também aponta que o número de empresas em recuperação judicial ativas chegou a 4.567 no final de junho, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2005. O valor total das dívidas envolvidas nesses processos soma R$ 12,3 bilhões.
Impacto econômico
O aumento das falências ocorre em meio à desaceleração da economia brasileira. O PIB do primeiro trimestre de 2026 cresceu apenas 0,2% em relação ao trimestre anterior. A taxa básica de juros, a Selic, está em 14,25% ao ano, pressionando o custo do crédito.
Para o segundo semestre, a expectativa é de que os pedidos de falência continuem em alta, especialmente nos setores de varejo e construção civil. “Sem uma reversão no cenário macroeconômico, a tendência é de mais empresas fechando as portas”, conclui Rabi.



