Os pedidos de falência no setor varejista brasileiro cresceram 23% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 312 casos. Os dados são da Serasa Experian, que aponta o aumento da inadimplência e a redução do consumo como principais causas.
Números detalhados
Segundo o levantamento, foram 312 pedidos de falência entre janeiro e junho de 2026, contra 254 no mesmo período de 2025. O mês de junho registrou 58 pedidos, alta de 18% ante junho de 2025. O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, afirmou que "o cenário macroeconômico adverso, com juros altos e inflação pressionando o orçamento das famílias, tem impactado diretamente o fluxo de caixa das empresas varejistas".
Setores mais afetados
O setor de vestuário e calçados lidera os pedidos, com 89 casos (28,5% do total), seguido por supermercados e hipermercados (67 casos) e lojas de eletrodomésticos (54 casos). Pequenas e médias empresas representam 78% dos pedidos, enquanto grandes redes somam 22%.
Recuperações judiciais também sobem
Paralelamente, os pedidos de recuperação judicial no varejo cresceram 15% no semestre, para 187 casos. A Serasa destaca que muitas empresas buscam a recuperação judicial como alternativa antes de recorrer à falência. Rabi ressalta que "a recuperação judicial ainda é uma ferramenta importante, mas o sucesso depende da capacidade de renegociação com credores e da retomada das vendas".
Perspectivas
A expectativa para o segundo semestre é de manutenção da tendência de alta, caso os juros permaneçam elevados e o consumo não se recupere. A Serasa projeta que o número de falências no varejo em 2026 pode superar 650 casos, o maior desde 2020.



