Ex-detento vira empreendedor com confecção própria em Juiz de Fora
Ex-detento abre confecção própria em Juiz de Fora

Rafael Inácio, detento da Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, em Juiz de Fora, transformou o aprendizado de costura na prisão em uma confecção própria. Atualmente em regime semiaberto, ele montou uma microempresa no bairro Jóquei Clube, no espaço que antes era a lavanderia da mãe. A empresa recebe cerca de 400 camisetas cortadas da marca juiz-forana Chico Rei, realiza a montagem completa e devolve as peças para estamparia e comercialização.

Oportunidade dentro da prisão

Rafael foi preso aos 20 anos e passou quase quatro anos em regime fechado. Durante esse período, recebeu a oportunidade de trabalhar na oficina da Chico Rei, instalada dentro da unidade prisional. "Eu estava na intenção de diminuir a pena e não de aprender. Até que caí na real e vi que precisava mudar de vida. Minha filha já estava com 6 anos e, quando ela nasceu, eu já estava lá. Só a vi quando saí da prisão. Minha mente mudou. Resolvi mudar de vida, abraçar a oportunidade e ir com força nela", recordou o jovem.

O contato diário com o corte e a costura despertou em Rafael a aptidão para um novo ofício e o desejo de empreender. Ao notar sua capacidade, a empresa deu aval para que ele começasse o próprio negócio. Na primeira saída temporária, ele buscou apoio de um advogado para formalizar o pedido à Justiça e conseguiu as primeiras máquinas.

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Apoio da professora e da família

A professora de costura Rosilene Gonçalves, conhecida como tia Rosinha, percebeu o interesse real do jovem e o ensinou em todas as etapas da costura na unidade prisional. Com o tempo, ele dominou a produção e tornou-se o 'coringa' da fábrica, apto a cobrir qualquer função. "Ensinar é maravilhoso, e saber que a pessoa toma isso como uma mudança de vida e para recomeçar torna tudo muito mais especial. O Rafa é um exemplo", afirmou a professora.

Planos de expansão e ressocialização

O desejo de crescer acompanha a vontade de ajudar outras pessoas que enfrentam as mesmas dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Ele projeta expandir a oficina e contratar ajudantes. "Se todos tivessem a oportunidade de ressocialização, de um trabalho, de mudar a cabeça e de estudos, eu acho que muitas pessoas não iriam continuar nessa vida".

Apoiado na fé e no desejo de dar orgulho à família e aos que o acolheram na saída do sistema prisional, Rafael celebra a conquista de andar de cabeça erguida e o encerramento do ciclo antigo. "É uma roupa que não serve mais. A partir de agora, o meu futuro é isso daqui", finalizou.

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