Etched salta de US$ 5 bi para US$ 20 bi em duas semanas
Etched salta de US$ 5 bi para US$ 20 bi

A startup norte-americana Etched, fabricante de chips de inferência para inteligência artificial, levou apenas duas semanas para sair do stealth mode com um valuation de US$ 5 bilhões e iniciar negociações para uma nova rodada que pode elevar seu valuation para cerca de US$ 20 bilhões. Em paralelo, a empresa também negocia outro cheque de US$ 10 bilhões, liderado pela Sequoia, conforme reportou o Wall Street Journal. Nenhuma das duas rodadas foi fechada até o momento, e não há informações se são de capital primário ou secundário.

Salto no valuation chama atenção

A última rodada precificada da Etched foi fechada em dezembro de 2025, com valuation pós-money de US$ 5 bilhões, liderada pela nova-iorquina Stripes. Até agora, a companhia captou cerca de US$ 800 milhões no total e tem US$ 1 bilhão em contratos já assinados com clientes.

De acordo com analistas de mercado, o que os investidores estão precificando é bem específico. O chip da Etched, batizado de Sohu, é um ASIC (circuito integrado desenhado sob medida) construído para uma única tarefa: rodar inferência de modelos transformer. Essa é a arquitetura por trás da maior parte dos LLMs em uso hoje.

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Estratégia de aposta binária

Na prática, a Etched abre mão da flexibilidade das GPUs de propósito geral em troca de mais performance por watt, desde que o transformer siga sendo a arquitetura dominante durante a vida útil do chip. É uma aposta binária, e o valuation projetado reflete a convicção de quem está entrando.

Os fundadores da companhia, o CEO Gavin Uberti e o presidente Robert Wachen, largaram Harvard para tocar o projeto e se tornaram Thiel Fellows no processo. A fabricação do Sohu ficou a cargo da taiwanesa TSMC, que produziu o chip no início deste ano.

Impacto no mercado de inferência

Na leitura de analistas de mercado, se a rodada de US$ 20 bilhões de fato se concretizar nesse patamar, o recado é que parte do capital late-stage já decidiu que um mercado de inferência alternativo à Nvidia existe e comporta uma segunda fonte de abastecimento, colocando novas startups em patamares de valuation não muito distantes das companhias públicas de silício especializado.

Investidores estão de olho em tudo o que envolve chips de inferência: a concorrente Cerebras fez o primeiro IPO de sucesso do ano, e a Groq acaba de levantar US$ 650 milhões. Do lado dos hyperscalers, Amazon, Google e Microsoft já desenvolvem seus próprios chips. O primeiro chip customizado da companhia foi desenvolvido em parceria com a Broadcom.

O movimento encontra respaldo em especialistas sobre o mercado, como Brendan Burke, diretor de pesquisa do Futurum Group: “À medida que os workloads de inferência ultrapassam os de treinamento em volume de tokens gerados, vai haver uma necessidade maior de diversidade porque arquiteturas XPU alternativas podem alcançar melhor eficiência em tarefas específicas de inferência”, avalia.

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