A Ericsson registrou queda de 8% nas vendas no segundo trimestre de 2026, totalizando US$ 5,4 bilhões, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa sueca de telecomunicações também alertou para pressão contínua nas margens de lucro, atribuindo o desempenho a investimentos pesados em redes 5G e à concorrência acirrada no setor de equipamentos de telecomunicações.
Desempenho financeiro e margens sob pressão
O lucro líquido da Ericsson no trimestre caiu 12%, para US$ 320 milhões, enquanto a margem bruta recuou de 38,5% para 36,2%. O CEO da empresa, Börje Ekholm, afirmou que "o ambiente de mercado continua desafiador, com pressão sobre preços e custos crescentes para implantação de novas tecnologias". A receita de redes, principal segmento, caiu 9%, para US$ 3,8 bilhões, refletindo menor demanda de operadoras na América do Norte e Europa.
Investimentos em 5G e concorrência
A Ericsson tem investido fortemente em pesquisa e desenvolvimento de redes 5G avançadas, incluindo tecnologia de ondas milimétricas e Open RAN, para competir com a chinesa Huawei e a finlandesa Nokia. No entanto, esses investimentos pressionam as margens. Ekholm destacou que "estamos priorizando participação de mercado em 5G, mesmo que isso signifique margens mais apertadas no curto prazo". A empresa também enfrenta custos mais altos com componentes e logística.
Impacto regional e perspectivas
Na América do Norte, as vendas caíram 15%, enquanto na Europa houve retração de 10%. A região Ásia-Pacífico apresentou crescimento de 5%, impulsionada por contratos na Índia e no Sudeste Asiático. Para o restante de 2026, a Ericsson projeta que a receita do segmento de redes permaneça estável ou ligeiramente negativa, com recuperação esperada apenas em 2027, à medida que novas licenças 5G sejam leiloadas. A empresa também anunciou um programa de redução de custos de US$ 400 milhões anuais, incluindo cortes de empregos e otimização de operações.
Reação do mercado e próximos passos
As ações da Ericsson caíram 3,5% na Bolsa de Estocolmo após o anúncio. Analistas do Barclays avaliaram que "os resultados estão em linha com as expectativas, mas o guidance fraco preocupa". A empresa reafirmou sua meta de margem operacional de 15% a 18% no médio prazo, mas reconheceu que o cenário macroeconômico e a guerra de preços na China representam riscos. Ekholm concluiu: "Continuamos confiantes na estratégia de longo prazo, mas precisamos navegar por um período de transição."



