Um número crescente de empresas japonesas de médio e pequeno porte está deixando a China, motivado por riscos geopolíticos e pela intensa concorrência de empresas locais. A constatação é de uma pesquisa do Banco de Cooperação Internacional do Japão (JBIC), divulgada nesta quarta-feira.
Pesquisa do JBIC revela tendência
De acordo com o levantamento, 45% das empresas japonesas com menos de 300 funcionários que operam na China afirmaram que planejam reduzir ou encerrar suas operações no país nos próximos dois anos. Entre as grandes empresas, o índice cai para 15%. A pesquisa ouviu 1.200 companhias japonesas com operações no exterior, entre janeiro e março de 2026.
O principal fator apontado é o aumento dos riscos geopolíticos, citado por 62% dos entrevistados. A concorrência com empresas chinesas, especialmente nos setores de tecnologia e manufatura, foi mencionada por 48% dos participantes. "A China deixou de ser um destino barato e seguro para a produção industrial", afirmou Kenji Tanaka, economista-chefe do JBIC, em entrevista coletiva.
Impacto na economia japonesa
A saída dessas empresas pode ter impactos significativos na economia japonesa. Segundo dados do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, cerca de 8.500 empresas japonesas operam na China, gerando mais de 1,5 milhão de empregos. A maioria delas está concentrada nos setores automotivo, eletrônico e de máquinas.
"A migração de empresas menores para outros países do Sudeste Asiático, como Vietnã e Tailândia, já é uma realidade. O custo de produção na China subiu cerca de 30% nos últimos cinco anos, enquanto a qualidade dos produtos locais melhorou drasticamente", explicou Tanaka.
Alternativas para as empresas
Diante desse cenário, muitas empresas japonesas estão diversificando suas operações para reduzir a dependência da China. O Vietnã é o destino mais citado, com 35% das empresas afirmando que pretendem expandir sua presença no país. A Índia aparece em segundo lugar, com 22%, seguida pela Tailândia, com 18%.
"A China continua sendo um mercado importante, mas não podemos ignorar os riscos. A diversificação é essencial para garantir a resiliência das cadeias de suprimentos", afirmou Hiroshi Suzuki, presidente da Associação de Empresas Japonesas na China.
Reação do governo chinês
O governo chinês minimizou o impacto da saída das empresas japonesas. Em nota, o Ministério do Comércio chinês afirmou que "a China continua sendo um dos destinos mais atrativos para investimento estrangeiro, com um mercado consumidor em expansão e infraestrutura de ponta". A nota também destacou que o número de empresas japonesas que deixaram o país em 2025 foi 12% menor do que em 2024.
Especialistas, no entanto, alertam que a tendência pode se acelerar se as tensões geopolíticas entre China e Japão continuarem aumentando, especialmente em relação às disputas territoriais no Mar da China Oriental.



